<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180</id><updated>2012-02-09T13:30:49.721-04:00</updated><title type='text'>Onde Habita Minha Alma</title><subtitle type='html'>Existo porque insisto.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>58</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5788497385381350678</id><published>2012-01-31T18:48:00.005-04:00</published><updated>2012-01-31T18:53:57.447-04:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a Sangueira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-dU246ApOVKM/Tyhw-x2j_AI/AAAAAAAAAVk/ePJ0QBMzDLc/s1600/circula%C3%A7%C3%A3o-do-sangue.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-dU246ApOVKM/Tyhw-x2j_AI/AAAAAAAAAVk/ePJ0QBMzDLc/s320/circula%C3%A7%C3%A3o-do-sangue.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;TPM só pode ter sido um mecanismo diabólico inventado por Deus. Um plano maquiavélico que Ele tinha em mente, para fazer a gente virar o mundo do avesso todo mês. Ele sabia que o mundo precisava disso. Que geralmente é no avesso que está o direito. E obviamente que Ele sabia também que só a mulher podia dar conta desse serviço. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Desde a adolescência até a velhice, nós mulheres somos induzidas mensalmente a fazermos um pequeno mergulho no abismo de nós mesmas. Somos violentamente conduzidas por uma orquestra afinada de hormônios que nos fazem viver a seu bel-prazer. Quando é o estrogênio que manda, ficamos poderosas. Lindas, exalando sensualidade, com a libido à flor da pele, felizes e bem dispostas. Uma beleza. A natureza quer que a gente procrie. E faz a gente arrepiar no calçadão. Depois que passa o período da ovulação e a natureza se dá conta de que não houve nada de novo no front, traz de presente o período das trevas. A progesterona manda e a gente chora. O tempo todo, por qualquer motivo. De divas passamos à categoria de trapinho velho. &amp;nbsp;Ficamos tristes, sombrias e inchadas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É real. A coisa toda é muito real. E o pior é que o assunto está para lá de batido. Todo mundo já falou sobre. Já discutiu sobre. E mesmo assim, a gente continua passando pela mesma história todo mês, sem descanso, sem pausa, se sentindo no mínimo injustiçada. Porque nada do que foi dito, nada do que foi escrito, aplaca a dor da incompreensão do nosso processo. Pelo menos, nos dias de hoje, nessa sociedade em que vivemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No tempo em que o homem vivia mais próximo da natureza e dos seus ciclos, a menstruação nas mulheres era coisa respeitada e reverenciada. Pela tradição indígena, por exemplo, uma mulher em seu ciclo lunar era considerada pela tribo, uma mulher em estado absoluto de graça. Ela tinha permissão de se recolher à Tenda da Lua e se isentar de todas as tarefas domésticas, como cozinhar e cuidar de seus filhos. O Tempo da Lua era considerado um tempo sagrado da mulher, quando ela recebia as honras por ser a Mãe da Energia Criativa. Durante esse ciclo ela deveria se libertar das energias antigas que seu corpo vinha carregando e se preparar para a religação com a fertilidade da Mãe Terra, aquela que ela seria portadora no próximo mês. Nossos ancestrais sabiam o quanto era importante dar espaço para que cada mulher pudesse se aprofundar em si mesma em seu espaço sagrado durante esse período. Afinal, eram elas as mães da tribo. Eram elas que davam continuidade à nação. Eram elas que abrigavam em seus ventres os sonhos de toda uma geração. Por isso, nada mais justo que em seu período de Lua, elas apenas descansassem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Agora me digam, onde é que cabe essa coisa linda e respeitosa às mulheres hoje em dia? Se elas próprias estão tão distantes de sua sabedoria feminina? Hoje o que a mulher vive em seu período da Lua é um verdadeiro massacre da serra elétrica. Porque passa pelo processo tendo que disfarçar tudo o que sente. É um achatamento da sua natureza. Ela quer se recolher e não pode. Quer ficar quieta e não pode. É daí que nasce sua tristeza. Aquela que se transforma &lt;st1:personname productid="em melancolia. At￩" w:st="on"&gt;em melancolia. Até&lt;/st1:personname&gt; ultrapassar todos os limites e ver sua melancolia se transformar numa irritação profunda. Que não precisa de nada para virar uma raiva colossal do mundo e de todas as coisas vivas sobre ele. É complicado. Mas é verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Nada do que vivemos é inventado. O que acontece é físico. Eu mesma vivi uma prova concreta disso no mês passado. Estava trabalhando num texto complexo e a coisa ia toda muito bem. De repente, um dia eu acordei e sentei para escrever. As palavras não se encaixavam. As idéias, que antes se concatenavam com tanta facilidade, agora tinham virado um grande mar de pensamentos confusos. Eu pensei: &lt;i&gt;meu deus, o que é que tá acontecendo comigo?&lt;/i&gt; Olhei no calendário e batata. Tinha acabado de entrar no meu período pré-menstrual. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;E os transtornos físicos que o corpo passa? A gente sofre e não reclama porque senão é chamada de fresca. Dor de cabeça. Indisposição. Inchaço. Cólica? Ah, isso é besteira! Toma um antiespasmódico e pára de reclamar! É igual gripe, todo mundo tem, é um horror mas ninguém respeita o mal-estar que se passa. Afinal de contas, é só uma gripe. Como assim é só uma gripe? Como assim é só uma TPM? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O Tempo da Lua é um desafio para a mulher. Todo mês ela entra em contato com o seu mundo interno porque os hormônios forçam esse contato. Eles manipulam essa necessidade para que a mulher, ao não fecundar nenhuma vida, possa ter a oportunidade de renovar a sua própria vida e regenerar seu corpo. É um rito de amadurecimento. Uma passagem que ela faz, todos os meses, pelo mais sombrio e profundo dela mesma. E é por isso que eu não entendo, mesmo com toda a dificuldade, o que faz uma mulher, um dia, resolver ir contra a sua natureza e não menstruar mais. Geralmente os motivos são sempre os mesmos: falta de paciência com o mal estar provocado pelo ciclo e nojo de seu próprio sangue. As mulheres que fazem isso assinam o divórcio com o seu feminino. E isso é uma pena. Porque ao se desconectarem de quem são, imediatamente condenam o mundo a um desequilíbrio energético colossal. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Por mais triste, confusa, inchada e irritada que eu fique, eu não abro mão de ser quem eu sou. Não abro mão de entrar em contato com essa força. E entender que é nesse período que eu vou ter a chance de ouro de ouvir o que meu corpo tem a dizer, o que as minhas sensações podem traduzir de mim mesma. É justamente nesse caldo de sangue que a minha sabedoria vai transmutar tudo aquilo que a minha consciência não conseguiu entender ao longo do mês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Deus tinha mesmo um plano diabólico para nós mulheres, quando inventou a menstruação. Era justamente nos lembrar, mês a mês, que a força do mundo não está nas mãos de ninguém. Está no ventre das mulheres. Toda as vezes que ela decide ou não, fecundar o mundo. Ave Eva!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5788497385381350678?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5788497385381350678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2012/01/ensaio-sobre-sangueira_31.html#comment-form' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5788497385381350678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5788497385381350678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2012/01/ensaio-sobre-sangueira_31.html' title='Ensaio sobre a Sangueira'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-dU246ApOVKM/Tyhw-x2j_AI/AAAAAAAAAVk/ePJ0QBMzDLc/s72-c/circula%C3%A7%C3%A3o-do-sangue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5321027949014402478</id><published>2012-01-24T16:17:00.002-04:00</published><updated>2012-01-24T16:20:27.310-04:00</updated><title type='text'>O batismo cósmico</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ypiSbzUfNgM/Tx8RW1fmmdI/AAAAAAAAAU8/LWEDm-X-8ZQ/s1600/DSC04125.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="220" src="http://4.bp.blogspot.com/-ypiSbzUfNgM/Tx8RW1fmmdI/AAAAAAAAAU8/LWEDm-X-8ZQ/s400/DSC04125.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Foto de Patricia Mendes&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Há muito, muito tempo atrás, quando esse meu corpinho ainda tinha dezoito anos, eu resolvi que queria ser atriz profissional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;O teatro era a minha vida. Meu oxigênio. Minha razão para estar no mundo. Eu nutria pelo palco uma paixão visceral e dramática, exatamente como mandava o figurino de uma atriz do porte que eu sonhava em ser: uma Sarah Bernhardt brasileira. Então, a primeira correção que precisava ser feita em mim mesma era justamente meu nome. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tatiana de Lima Monteiro? Mas isso não era nome de diva. Lima Monteiro não me parecia sonoro, nem impactante. O Tatiana era bom. Mas o que eu precisava era de buscar um sobrenome artístico que fosse diferente de todos os nomes que estivessem por aí. Algo que fosse especial. De preferência que começasse com a letra T. Nada mais glamouroso do que um nome e um sobrenome começando com a mesma letra, como Marilyn Monroe, por exemplo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Telink. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Foi quando nasceu o Telink. Idéia de Dona Irene, minha mãe visceral e dramática, que sempre adorou colocar lenha na minha fogueira criativa. A doninha pegou o nome da já famosa escritora russa Tatiana Belinky e fez um furdunçozinho bem singelo para encaixar o meu desejo de ser diva ao meu nome de registro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;E por um bom tempo a coisa deu certo. Trabalhei profissionalmente durante anos com esse nome. Conheci muita gente e muita gente hoje me conhece por Telink. A coisa foi tão forte que se a gente “der um Google” no sujeito, se surpreende com a quantidade de notícia que existe numa coisa que foi inventada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;A questão toda veio depois. Um dia coloquei filhas no mundo e isso mudou muito meu jeito de ver o mundo. Larguei o teatro e passei a nutrir uma paixão visceral e dramática por elas. E foi a partir dessa paixão que a escrita nasceu na minha vida. Há muitos anos escrevo sob o pseudônimo de Tatiana Telink. Mas por mais que eu escreva com amor e dedicação, por mais leitores queridos que eu tenha, há muito tempo tento me sustentar com esse ofício e simplesmente não consigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Foram precisos vinte anos para que eu caísse no colo de uma taróloga maravilhosa que me disse com compaixão, uma coisa simples, mas avassaladora: &lt;i&gt;É querida, talvez como Tatiana Telink você não consiga chegar muito longe, sabe por quê? Porque essa pessoa não existe. Tudo que o destino traçou para você está no seu nome de registro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;“O que não é reconhecido, não é celebrado. E o que não é celebrado, acaba saindo da sua vida” disse ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Naquele momento, um milhão de fichas caíram na minha cabeça. E eu compreendi que a &lt;i&gt;Tatiana Monteiro&lt;/i&gt; que havia sido deixada de lado todos esses anos, precisava renascer. Que eu precisava honrar o nome que tinha recebido dos meus pais e que ele carregava nada mais nada menos, que toda uma linhagem sagrada de ancestrais que me apoiavam e me ajudavam na jornada da minha vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;E é por isso que eu resolvi escrever esse texto hoje, o primeiro a entrar no blog em 2012. Porque precisava sacramentar esse batismo cósmico em mim mesma. E ver renascer meu lindo e forte nome &lt;b&gt;Tatiana Monteiro&lt;/b&gt; - de registro burocrático na Terra e espiritual no Cosmos - e ver se eu consigo de uma vez por todas dar um jeito de me sustentar financeiramente nesse estranho e incoerente mundo dos homens. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tatiana Telink, minha querida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Eu te agradeço por toda as histórias que trilhamos juntas nessa vida. Por tudo aquilo que aprendemos. Mas agora eu preciso deixá-la ir para que eu possa colocar no lugar certo a minha verdadeira identidade. Reconhecer meu nome para que ele encontre a força da minha própria voz. E que eu possa com isso finalmente honrar o destino que vim cumprir nessa vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Que todos os caminhos de prosperidade e abundância se abram meu Deus do Céu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Seja bem vinda Tatiana Monteiro. O corpinho já não é mais tão jovem, os sonhos já estão meio gastos, mas eu tenho certeza que a alegria continua a mesma. E a esperança... ah essa daí eu tenho de sobra. Devo ter trazido no DNA da minha família querida. A Lima Monteiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt;"&gt;para Heloisa Espósito&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;a taróloga maravilhosa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5321027949014402478?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5321027949014402478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2012/01/o-batismo-cosmico.html#comment-form' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5321027949014402478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5321027949014402478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2012/01/o-batismo-cosmico.html' title='O batismo cósmico'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ypiSbzUfNgM/Tx8RW1fmmdI/AAAAAAAAAU8/LWEDm-X-8ZQ/s72-c/DSC04125.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3197319920126408828</id><published>2011-12-23T01:22:00.002-04:00</published><updated>2011-12-23T01:28:39.746-04:00</updated><title type='text'>Intercâmbio mágico</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qytcdrky4uA/TvQDr-J---I/AAAAAAAAATk/KaU9zaSQbTU/s1600/IMG_7874.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/-qytcdrky4uA/TvQDr-J---I/AAAAAAAAATk/KaU9zaSQbTU/s400/IMG_7874.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;&lt;i&gt;Fotografia de Gisele Magalhães&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Há magia por todos os lados. Mas nem todo mundo consegue ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Quando eu era pequena, os pequenos milagres do mundo atravessavam o meu corpo e brincavam comigo. Não havia espanto com a beleza. Nem estranhamento com a poesia. O que existia era uma profunda compreensão da existência do jeito mais simples de se compreender tudo: existindo. Assim é o universo infantil. Uma percepção sutil e inteligente de quase tudo. A conexão simples entre o céu que nos abraça e a terra que nos acolhe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Mas um dia a gente cresce. E ninguém mais te deixa ver as coisas que quer ver nem sentir a vida do jeito que gostaria de sentir. É quando começa o duro processo de bloqueamento do ser. Quando a gente é obrigado a aprender a se conter. Se enquadrar. Obedecer. Dizem que é na infância que a gente cria a sombra, aquele lugarzinho onde moram todos os nossos bichos cabeludos. A sombra se cria porque a gente quer ser o que é, mas se aquilo não se enquadra no quadro chato da caretice adulta, alguém vem e diz: &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;menos fulaninho, menos&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;. E a gente pega aquilo que era &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;mais&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt; na gente e esconde. Pronto. Começa então o ardiloso processo de armazenamento de tudo aquilo que em nós poderia ser autêntico - e genial - mas que acaba sendo censurado porque teve algum espírito de porco que veio &lt;i&gt;cortar as nossas asinhas&lt;/i&gt;. Sim, na sombra moram os nossos bichos cabeludos, mas também mora a nossa potencialidade mais pura, isto é, aquilo que em nós era magnífico... e que ninguém deixou a gente desenvolver porque precisava se comportar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Ai que saco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;E olha, tem que entrar no esquema viu, porque senão passa o resto da vida sofrendo sérias retaliações. Já perdi a conta de quantas vezes fui acusada de ser infantil. &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Como assim você quer correr atrás de vaga-lume?&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Como assim você quer dançar na chuva?&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt; Adultos que ainda tentam ver o mundo com a lente especial da meninice, são e sempre serão acusados de um crime hediondo: imaturidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;M&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;as, quando a gente pensa que está tudo perdido, vem a Mãe Natureza e nós dá uma nova chance. Como? Nos dando a incrível oportunidade de colocar criancinhas no mundo. A vida te chama na chincha para crescer – procriar é dar existência a outro ser, ninguém procria sem amadurecimento – mas ao mesmo tempo te dá de brinde uma segunda chance. Você pode olhar para tudo de novo, só que dessa vez, através das lentes coloridas dos seus filhos. Olhar através dos olhinhos deles. Que não deixam de ser um pouco dos seus próprios olhos. Já pensou?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Depois que as minhas filhas nasceram, sinto que voltei a ter permissão de pirar no algodão-doce. E hoje fazemos um intercâmbio mágico, emocionante e curativo. Eu mostro para elas o que há por trás dos desenhos do incenso e da chama da vela e elas me relembram a perfeição das bolinhas de sabão. Aponto o arco-íris no céu e elas me apontam o coelho correndo nos flocos das nuvens. Juntas descobrimos que o mesmo vento que faz a gente rodopiar é o vento que varre o pensamento. E é o mesmo vento que toca o sininho e faz a pipa voar. Se ensino para as duas que dentro dos potinhos de tinta moram um monte de desenhos escondidos, elas me ensinam em que flores no jardim tem cada uma daquelas cores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Outro dia ouvi Clara dizendo para uma amiga no condomínio:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Minha mãe é a única mãe no mundo que deixa a gente tomar banho de chuva."&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;A menina respondeu: "Não é não. A minha também deixa, as vezes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;"É, mas ela não&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;toma banho junto com você, toma?"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Há magia por todos os lados. Não consegue enxergar? Faz um neném.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3197319920126408828?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3197319920126408828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/12/intercambio-magico.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3197319920126408828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3197319920126408828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/12/intercambio-magico.html' title='Intercâmbio mágico'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qytcdrky4uA/TvQDr-J---I/AAAAAAAAATk/KaU9zaSQbTU/s72-c/IMG_7874.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-7536538626153822870</id><published>2011-12-06T12:46:00.002-04:00</published><updated>2011-12-06T12:49:21.362-04:00</updated><title type='text'>Eu já tenho</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8u9MVJ-UzWg/Tt5GEZFd5DI/AAAAAAAAATQ/0Q-zMKq9Tro/s1600/joaneterosa.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: left; margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-8u9MVJ-UzWg/Tt5GEZFd5DI/AAAAAAAAATQ/0Q-zMKq9Tro/s400/joaneterosa.jpg" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Outro dia olhei para o meu pé e me dei conta de uma certeza avassaladora: eu já tenho um joanete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho manchas brancas na pele. Brancas e beges. Daquelas que as velhinhas alemãs têm aos montes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho varizes nas pernas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho manias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mania de tomar chazinho antes de dormir. Mania de passar creme no cotovelo antes de dormir. Mania de dormir na frente da tv.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Surdez eu sempre tive. Isso não é novidade. A novidade agora é colocar o papel bem longe para ler. Isso eu acho graça. Ria da minha mãe quando ela fazia isso e ria. Agora sou eu que posso rir de mim mesma. E olha que eu já tenho um óculos para perto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho uns cansaços esquisitos, uma dor no joelho misteriosa e uma câimbra na costela esquerda desde a última gravidez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho rabugices. Detesto quando os homens da minha casa fazem xixi e não fecham a tampa de volta. Me irrito quando abro a geladeira e não tem água gelada nas garrafas, mesmo não gostando de tomar água gelada. Reclamo baixinho sempre que posso. Resmungar é uma rabugice deliciosa de fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho muitas histórias para contar que aconteceram há mais de duas décadas. Tá. Há mais de três. E isso de vez em quando me assusta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho rugas nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho filhas que me aconselham, sobrinhos que namoram e uma avó que nunca mais lembrou de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho cabelos brancos. E levo um susto cada vez que o cabelo ruivo cresce e eu me dou conta de que não sou ruiva e no meu couro cabeludo mora uma grisalha que eu nem conheço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já tenho isso tudo e nem fiz quarenta anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;para Renata Pivatelli&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;minha amiga querida e futura geriatra.﻿&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-7536538626153822870?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/7536538626153822870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/12/eu-ja-tenho.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/7536538626153822870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/7536538626153822870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/12/eu-ja-tenho.html' title='Eu já tenho'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8u9MVJ-UzWg/Tt5GEZFd5DI/AAAAAAAAATQ/0Q-zMKq9Tro/s72-c/joaneterosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-6731450035245993495</id><published>2011-11-29T21:56:00.000-04:00</published><updated>2011-11-29T21:56:26.602-04:00</updated><title type='text'>O Tempo do Nada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wmgesoxQS8E/TtWMgOJ0MXI/AAAAAAAAATI/7g1lVqbEVQE/s1600/soljohn.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/-wmgesoxQS8E/TtWMgOJ0MXI/AAAAAAAAATI/7g1lVqbEVQE/s400/soljohn.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É muito cansativo viver todo dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Essa coisa de que nada como uma noite entre dois dias para tudo consertar é coisa de quem não tem insônia. Drummond já dizia que “a vida necessita de pausas” e olha que ele nem habitava esse planeta mega-over que a gente habita hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A pausa do sono – para quem não tem insônia – não vale muito. Porque a gente não dorme e dá pause na vida. Não. A gente sonha, tem pesadelo, processa metafisicamente todos os processos emocionais. Faz viagens astrais. Tem gente que trabalha a beça dormindo. Trabalho duro espiritual. Isso para mim não é pausa. Isso é só um outro jeito de estar vivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É muito cansativo viver todo dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;E o pior é não se pode tirar férias da vida. Férias de viver é morrer. E não é eu que eu quisesse morrer um pouco, de vez em quando. Não é isso. Mas acho que deveria existir um sistema opcional no esquema de existir. Uma possibilidade de se dar um tempo sem que isso nos tirasse daqui. Não um botão OFF. Mas um botão NADA.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Será que sou só eu que acordo de manhã, olho no espelho e penso: “ah, não... de novo?” Acho que o que me incomoda mais é que a gente não tem tempo hábil de digerir as coisas que vive. Talvez seja isso. É como sentar para jantar quando se acabou de almoçar. Eu até tenho tentado a meditação. Aliás, há anos eu tento meditar. Mas que lenha que é esse troço. Tudo muito lindo na teoria. Entrar em contato com nosso ser mais profundo, habitar no silêncio. Infinitos minutos tentando, para depois me dar conta de que todas as questões continuam ali, fritando meu cérebro na imensidão escura do meu self. Claro que já tive momentos bons na meditação, onde consegui ver meus pensamentos correrem como um rio e me distanciar de mim mesma como um espírito que se afasta do próprio corpo. Mas isso não descansa ninguém de si mesmo. Bom, pelo menos para mim, a pausa nunca aconteceu aí.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Talvez numa outra Era eu não me sentisse tão cansada de viver todos os dias. Quando o planeta ainda tinha 24 horas que obedeciam aos ciclos da natureza e do homem. Mas hoje, nossas 24 horas se transformaram em 15 minutos. A gente vive da ilusão de que tudo vai dar tempo, porque dividiu nossa agenda na angústia fragmentada de dias, semanas, meses. E tenta se acalmar planejando os próximos anos. Uma pinóia. Estamos numa época que afronta qualquer alma. Quem agüenta essa rotina de hoje em dia? Imagina se pegar duas horas de trânsito na Ponte Rio-Niterói não é infinitamente mais estressante do que andar por duas horas numa carroça, atravessando verdes pastos para se chegar a qualquer lugar? Eu sei que vai ter gente me chamando de velhinha de novo. Mas eu não me importo. Sou amante mesmo do tempo que a vela iluminava as noites de amor e que as serestas tomavam o lugar do Jornal Nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É&amp;nbsp;muito cansativo viver todo dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas talvez seja ainda mais cansativo lutar contra o excesso de informação, as notícias sombrias do mundo, tudo aquilo que entra em nós sem permissão e nos sufoca. Já que Deus não inventou o botão NADA, é preciso pelo menos inventar o tempo do nada. Um tempo em que a pausa dure um pouco mais do que uma respiração profunda. Um suspiro. Um pôr-do-sol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-6731450035245993495?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/6731450035245993495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/11/o-tempo-do-nada.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6731450035245993495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6731450035245993495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/11/o-tempo-do-nada.html' title='O Tempo do Nada'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wmgesoxQS8E/TtWMgOJ0MXI/AAAAAAAAATI/7g1lVqbEVQE/s72-c/soljohn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4282426487067994320</id><published>2011-11-18T13:55:00.000-04:00</published><updated>2011-11-18T13:55:25.200-04:00</updated><title type='text'>O Capô da Sorte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PaceL4LCInY/Tsaaii1Um6I/AAAAAAAAASk/bXnZZj4b3iE/s1600/DSC_0124.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="267" src="http://4.bp.blogspot.com/-PaceL4LCInY/Tsaaii1Um6I/AAAAAAAAASk/bXnZZj4b3iE/s400/DSC_0124.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;(essa pintura eu fiz hoje... &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;me preocupo com os preocupados também!)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É&amp;nbsp;o capô do meu carro que tem me devolvido a esperança na raça humana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Há uns meses atrás, num trânsito tartaruga na Lagoa, bati a 20 por hora no carro de um velhinho. Fiquei para morrer. Foi um baita susto para mim, imagine para ele. Desci correndo para me desculpar. Sou daquelas que assume a culpa imediatamente mesmo quando não tenho culpa de nada. Nesse caso tinha. Catarina tinha dado um grito, eu tinha levado um susto e intuitivamente, tinha olhado para trás. Em um segundo, o carro da frente freou e o meu entrou na traseira dele. É mais ou menos assim que as coisas acontecem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Graças a Deus no carro do velhinho não tinha acontecido nada. Só a esposa dele que tinha ficado meio pálida com o tranco. Pedi mil desculpas. Expliquei da Catarina. Perguntei se estava bem. Ela acabou sendo gentil com a minha gentileza de ir até lá pedir perdão. Fez um pequeno sermão de como, em hipótese alguma, devemos olhar para trás enquanto as crianças falam, gritam ou brigam. Tudo deve ser feito pelo espelho retrovisor. Me perguntei se ela teria filhos. Provavelmente não. Mas ouvi resignada. Era o mínimo que podia fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A princípio meu carro parecia ter saído intacto da colisão. Também tinha ficado trêmula, mas pensar nessa despesa, me fazia tiritar. Foi quando ouvi a primeira buzinada frenética do carro ao lado dentro do Túnel Rebouças. Era um homem gritando que o capô estava aberto. Assim que vi um posto, parei. O frentista abriu, analisou e deu o diagnóstico. &lt;em&gt;Tá fechando senhora, mas o capô empenou&lt;/em&gt;. Que saco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Na semana seguinte levei ao mecânico. O orçamento parecia piada. Mil pilas só para desamassar. Tadinho do Billy – esse é o nome do nosso Uno, Billy Ray – talvez numa outra vida eu fosse consertá-lo. O que eu não previa era que o não-conserto do capô fosse me comover tanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Passou a ser uma rotina nas nossas vidas. Já temos um discurso pronto. Em média, mais ou menos umas cinco pessoas por dia, nos avisam aflitivamente da abertura do capô. Se por acaso eu vou mais longe, essa estatística dobra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A solidariedade das pessoas é uma coisa extraordinária. Elas não deixam passar. Tem gente que buzina, grita, acena com os braços, reduz a marcha, abaixo o vidro do carro correndo, faz de tudo por uma comunicação imediata. A abertura de um capô de carro em movimento pode se transformar num acidente fatal. E é isso que deixa todo mundo de cabelo em pé.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Clara e eu colecionamos sorrisos para essa gente bacana. Sou eu que costumo falar, mas às vezes ela se antecipa. Coloca a cabecinha para fora, espera o recado e com o sorriso mais lindo do mundo, tranqüiliza a pessoa. &lt;em&gt;Se preocupa não, moço. Tá empenado.&lt;/em&gt; A gente espera o alívio do vizinho e agradece o aviso. Até Catarina já decorou o discurso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu não consertei o Billy por fala de dinheiro. Agora é a gente que não quer mais consertar. É um presente assistir de perto, todos os dias, a sorte batendo no nosso capô.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4282426487067994320?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4282426487067994320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/11/o-capo-da-sorte.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4282426487067994320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4282426487067994320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/11/o-capo-da-sorte.html' title='O Capô da Sorte'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-PaceL4LCInY/Tsaaii1Um6I/AAAAAAAAASk/bXnZZj4b3iE/s72-c/DSC_0124.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5419444824985730936</id><published>2011-11-08T08:52:00.001-04:00</published><updated>2011-11-08T08:55:01.478-04:00</updated><title type='text'>Na Cama com Morfeu</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-P01ZtyEE6IQ/TrklG6RvetI/AAAAAAAAASY/gN3q85KB3vM/s1600/morfeu.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-P01ZtyEE6IQ/TrklG6RvetI/AAAAAAAAASY/gN3q85KB3vM/s1600/morfeu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O relógio dá uma piscadinha para mim. Onze horas da noite. Perfeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;As meninas já estão dormindo, a casa está tranqüila. O cd de piano na última faixa, o incenso na guimbinha da cinza. O pijama macio já esquentou o corpo, o chá de erva-cidreira já esquentou a alma. Já pinguei o soro no nariz, o floral na língua. Acho que não falta nada. Só respirar fundo, abraçar minha cama e deitar para dormir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Fecho os olhos. Intrometido, vem o primeiro pensamento. Xííí... não paguei a conta da internet hoje, putz grila. Não! Nada de repassar a lista do que não foi feito hoje. Amanhã você faz isso. Relaxa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Respiro profundamente. Esvazio o peito de ar mentalizando esvaziar meu dia que termina. Mudo de posição. Aquela tava meio ruim. Esse edredom tá pouco para o frio de hoje... Será que coloquei cobertor suficiente nas meninas?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Respiro fundo. Clara espirra no outro quarto. Sento na cama e espero o próximo. Ele vem. Tá vendo, coloquei pouca coberta... Levanto, vou até o quarto das meninas, saco mais uma mantinha do armário, cubro as duas e antes de voltar para cama, dou uma última espiadela. Sinto inveja do sono profundo que estão mergulhadas. Tão profundo que parecem pálidas e com olheiras. Uma vez comentei isso com Dra. Manoela – minha irmã shiatsu-acupunturista, grande conhecedora de medicina chinesa – e ela me explicou esse fenômeno que faz minhas bonecas parecem meio mortinhas quando dormem: quando entramos em estado de sono profundo, o nosso &lt;em&gt;chi&lt;/em&gt; – energia vital – se recolhe também, ao centro do nosso organismo para se recuperar. Nesse momento, nosso corpo fica em absoluto relaxamento. E é na face que mais percebemos sua ausência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sei. Deve ser por isso que estou sempre pálida e com olheiras quando estou acordada. Como durmo pouco, meu pobre &lt;em&gt;chi&lt;/em&gt; nunca tem tempo de se recolher. O cara vive cansado. Assim como eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;nfim, volto para cama. Deito e deixo o corpo pesar na cama que me acolhe. Cama querida... Ela quer que eu durma. Ela sempre quer que eu durma. Me chama não sei quantas vezes todas as noites. Minha mente cansada também quer dormir. Meu corpo exausto também quer dormir. Ótimo, vamos todos dormir. Fechos os olhos. Respiro fundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Procuro ficar quieta na cama, quase imóvel. Contendo qualquer movimento que me distraia. Não deixo o corpo mexer. Não deixo nem as pálpebras se mexerem. Mas não consigo conter o globo ocular. Vejo o escuro da direita. Depois o escuro da esquerda. E quando paro para olhar o escuro do centro, vejo nele uma palavra freneticamente piscando. Em cores fosforescentes. No centro do escuro dos meus olhos, emitindo um sinal malévolo, está mais uma vez, a palavra INSÔNIA.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Pronto. Quando essa constatação é feita, o desencadear dela é destruidor. Eu não posso acreditar que estou com insônia. De novo. Mas que droga!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Assumir uma insônia é como assinar um atestado de óbito de uma noite bem dormida. É perder a esperança de recolher o chi, de descansar o corpo, dar um tempinho para alma. Minha irmã diz que eu tenho muito dificuldade de abrigar o shen – alma etérea - porque sou muito ativa, penso demais, tenho excesso de criatividade. Engraçado ela falar de shen. Os índios chamam nosso excesso de pensamento de chenhenhem. Não parecem palavras primas? Culturas tão distintas falando sobre uma mesma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Seja o que for: shen ou chenhenhem, já entendi que esse nheco-nheco é a base da minha problemática noturna. Mas o que fazer para mudar esse comportamento maníaco-destruidor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sou uma pessoa totalmente avessa a calmantes, tranqüilizantes e qualquer ante que me faça dormir quimicamente. Não sei, tenho uma cisma com qualquer remédio de tarja preta. Parece aviso funerário. E se eu me viciar no vodu? Como é que faço depois para curtir um Passiflorine, uma Maracujina? Nada mais disso vai fazer efeito. E no mais, são anos e anos lutando contra a falta de sono. A longo prazo, a medicina vai ser mais nociva do que o próprio cansaço acumulado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quando eu era adolescente, me lembro de precisar colocar uma toalha na soleira da porta, para esconder a luz do quarto acesa durante a madrugada. Tudo para impedir que minha mãe entrasse lá pela décima vez para dizer: &lt;em&gt;mas minha filha, será possível que você não vai dormir de novo!?&lt;/em&gt; Tudo bem. Naquela época eu não dormia antes das quatro. E forçava totalmente uma barra para ter insônia. Como dormir se uma vida inteira clamava por mim? Livros a serem lidos, colagens a serem feitas, poesias a serem escritas sob a noite fresca do luar? Dormir era puro perda de tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas depois as filhas chegaram. E o sono passou a ser artigo de luxo. Eu vivia exausta. Porque cuidava delas tempo integral. Mas também precisava de tempo para mim. Então, ao invés de descansar enquanto elas descansavam, eu me metia a escrever, estudar e pintar nas únicas horas que me restavam. Resultado? Estafa. Mas só jogava a toalha depois de um diagnóstico alarmante do médico: ou eu dormia, ou a máquina ia pifar de vez. Foram anos de um cansaço profundo. Absoluto. Avassalador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Isso praticamente descabela minha irmã. Ela acha que 90% dos meus problemas existem por causa da minha falta de sono. Meus cabelos brancos, minha tristeza, minha dificuldade em processar os conflitos, meu desânimo... isso tudo fala da perda constante da minha essência, que os orientais explicam que uma vez perdida, jamais pode ser recuperada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Tá, eu sei que faço do tempo moeda de troca. E que se uma madrugada resultar num bom texto, eu realmente não me importo em virar um legume no dia seguinte. Mas também... tem troço mais esquisito do que dormir? Vivenciar essa “pequena morte” todos os dias requer um bocado de confiança na vida. Acho meio surreal passar oito horas de olhos fechados, esticada numa cama, desconectada do mundo, sem controle nenhum sobre nada e ainda por cima, sonhando as coisas mais esdrúxulas que a gente sonha. Pô, coisa de maluco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Descobri&amp;nbsp;há pouquíssimo tempo que Morfeu era um dos mil filhos de Hipnos, o deus do sono. Assim como o pai, era dotado de grandes asas, que o transportavam em poucos instantes, e silenciosamente, aos pontos mais remotos do planeta. Se eu soubesse disso antes já teria mudado de atitude e teria me esforçado bem mais para dormir toda noite. Cair nos braços de um cara desses? Espetáculo de noite!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A partir de hoje vou mudar radicalmente minha estratégia para dormir. Nada de pijaminhos macios e chá de erva-cidreira. Vou deitar de camisola bonita e perfumada. Nada de perder a chance de ir para cama como um deus grego e conquistar o coração daquele que pode ser – e eu nunca soube – a maior inspiração para as minhas criações literárias: Morfeu, o cara que tem o poder de revestir de sonhos a imaginação dos mortais adormecidos. Loucura!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5419444824985730936?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5419444824985730936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/11/na-cama-com-morfeu.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5419444824985730936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5419444824985730936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/11/na-cama-com-morfeu.html' title='Na Cama com Morfeu'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-P01ZtyEE6IQ/TrklG6RvetI/AAAAAAAAASY/gN3q85KB3vM/s72-c/morfeu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-6883004382301342689</id><published>2011-10-31T20:39:00.002-03:00</published><updated>2011-10-31T20:47:01.691-03:00</updated><title type='text'>Da nossa natureza</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kdu4fQTtZPw/Tq8xNPo8RNI/AAAAAAAAASI/ya0YyGl5YQI/s1600/formiga.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-kdu4fQTtZPw/Tq8xNPo8RNI/AAAAAAAAASI/ya0YyGl5YQI/s1600/formiga.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;De vez em quando me bate uma dúvida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não chega a ser um boicote, nem uma crise séria de autocrítica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Uma dúvida se de fato o que escrevo um dia servirá à humanidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Meu ego gostaria muitíssimo que eu fosse diferente. Que eu estivesse debruçada sobre temas de suma importância para o desenvolvimento humano. Ele queria que eu falasse sobre coisas sérias, muito sérias. E que eu escrevesse um livro sobre qualquer tema – sério - com no mínimo uma edição de dez volumes. Puxa. Isso com certeza o faria parar de me apoquentar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas eu escrevo sobre pombos. Sobre armários em desordem, puns que já senti no metrô. Não há ego que aprove um absurdo desses. Mas sendo sincera, essa é a minha natureza. É da minha natureza observar as coisas pequenas. Aquilo que ninguém viu. Aquilo que ninguém percebeu. É da minha natureza querer encontrar o incomum dentro de todas as coisas. Curtir o que é insignificante. Enaltecer aquilo que ninguém deu bola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É da minha natureza gostar de mendigos, parar no meio da rua chocada com a beleza do arco-íris, ou ficar felicíssima quando cai uma tempestade no meio da tarde e eu constatar que estou sem guarda-chuva. É da minha natureza soltar um gemido em frente à padaria só porque saiu uma fornada de pães quentinhos, parar para ver passar um fila de formigas ou ficar observando por muito tempo, uma velhinha fumar seu cigarro sozinha, sentada num banco de praça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Demorei um tempão para entender essa história de ser da natureza de alguém ter uma característica imutável. Na verdade isso só entrou na minha alma quando conheci a fábula africana sobre o sapo e o escorpião. Ela diz mais ou menos assim:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;“Certa vez, após uma enchente, um escorpião, querendo passar ao outro lado do rio, aproximou-se de um sapo que estava à beira e fez-lhe um pedido: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O sapo respondeu: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou morrer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O escorpião retrucou, dizendo: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Isso é ridículo! Eu não pagaria o bem com o mal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O escorpião tanto insistiu que o sapo, de boa-fé, confiando na lógica do aracnídeo peçonhento, concordou. Levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio. No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Atingido pelo veneno, já chegando à margem do rio, moribundo, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Por quê? Por que essa maldade? Por que você fez isso, escorpião?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;E o escorpião respondeu: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Não sei... Não sei mesmo! Talvez porque eu seja um escorpião e essa seja a minha natureza!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ai, adoro essa história. Fico com uma peninha do sapo, mas entendo que foi da natureza dele tentar confiar no&amp;nbsp;escorpião. E que foi da natureza do escorpião ter sido o cretino que foi. Compreender isso&amp;nbsp;é uma grande lição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É da minha natureza querer ver o que está por trás de cada história, a parte invisível das coisas e não levar a vida tão a sério. É da minha natureza ser otimista, colecionar penas e ter mania de reparar no lóbulo de todo mundo. Talvez seja por isso que eu ache a vida tão extraordinária. Porque é da minha natureza ser muito, muito feliz chupando um Chicabon.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-6883004382301342689?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/6883004382301342689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/da-nossa-natureza.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6883004382301342689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6883004382301342689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/da-nossa-natureza.html' title='Da nossa natureza'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kdu4fQTtZPw/Tq8xNPo8RNI/AAAAAAAAASI/ya0YyGl5YQI/s72-c/formiga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5140647706837335988</id><published>2011-10-24T13:14:00.001-03:00</published><updated>2011-10-24T13:18:12.835-03:00</updated><title type='text'>Crônica de um caos anunciado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A pilha de roupas emboladas dentro do armário revela: aí vem um tempo de caos. É impressionante como sou previsível. Tudo parece bem na minha vida até que começo a perceber pequenas bagunças se acumulando nos cantinhos escondidos do meu dia-a-dia. É batata. Sinal de que a coisa por dentro não está nada boa. Lido muito mal com a bagunça. A falta de ordem é a denúncia do avesso. Gosto da ilusão de que a ordem é prima-irmã do controle. Se tudo está arrumadinho, quer dizer que tudo está bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não faço idéia de como as pessoas consigam viver no caos. Na minha casa, por exemplo, não há um único item em desuso. Não guardo nada que não precise nem nada que esteja quebrado. Não tenho depósito e geralmente o alto dos armários está vazio. Não tenho apego a coisas antigas. Não guardo alguma coisa porque “talvez precise dela um dia”. Tralha é a antítese do equilíbrio. O inimigo número um do feng shui. Acho até bonita a coleção de inutilezas de Manoel de Barros, mas se ele fosse meu marido com certeza já teria lhe pedido o divórcio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É por isso, e somente por isso, que em tempos de desequilíbrio interno, é meu armário quem me denuncia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A coisa começa devagar. Na pilha de blusinhas. Antes muito bem dobradas e empilhadinhas, começam a ser guardadas de qualquer jeito e tamanho. As meias e calcinhas que antes pareciam gaveta de loja de lingerie, da noite para o dia, viram uma coleção de bolotinhas indefinidas. Os sutiãs se confundem com as meia-calças e uma saia que deveria ter sido colocada para lavar, passa a morar no lugar das bolsas. A gaveta de pijamas, outrora cheirosa, agora tem nela jogada um cinto, uma pulseira e uma escova de cabelo. Cheia de cabelos. Nos cabides, começo a pendurar coisas que são dobrar e as de pendurar, empilho. Amassando vestidos, calças e lenços. Os casacos de frio - lindos que estavam guardados por cores - vão se misturando e perdendo a identidade, mafuados no fundo do armário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Até que a coisa degringola mesmo. E o caos de fora anuncia no grito a confusão de dentro. Já não encontro mais nada em questão de dias. Quanto mais o tempo passa, mais se percebe o grau da minha desconexão. E o que antes se podia desembolar com facilidade, se transforma por preguiça ou medo, num grande e complexo nó. Todos os cacarecos da casa foram parar dentro do armário. Sem me dar conta, estou entupida de questões até a última gaveta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É nesse momento que chega a hora da faxina. Sem mais nenhum centímetro cúbico de espaço para guardar nada, é tempo de vomitar todas as meias sujas que deixei acumulando tristeza e confusão. Já perdi a conta de quantas vezes isso já me aconteceu na vida. Deixar se instalar o caos só pelo prazer de me achar de novo dentro dele. Brincadeira de gente grande.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Devo confessar que sinto muito prazer nisso. Nesse processo catártico-espacial. Esvaziar gavetas me recicla. Esvazio tudo. Todos os cantos. Todos os cabides. Deixo o armário pelado para me desnudar. E como num ritual de purificação, passo água de lavanda em tudo e recomeço do zero a pilha das blusinhas. Me desfaço da calça comprida que não me cabe mais. Separo uma caixa de doações para todos os trapinhos, que numa boa, não tem mais nada a ver comigo. Até mesmo aquela calcinha - aquela maldita que me dói o coração só de olhar – aquela que tem nela um amor grudado que eu preciso me desfazer... até essa não escapa da limpeza final.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Meu armário é o espelho mais fiel de mim mesma que eu conheço. E é por isso que se ele diz que é preciso desopilar cabides, é isso que eu faço. A gaveta de lingerie ficou vazia. Sinal de que preciso comprar calcinhas novas? Não, sinal de que meu armário está tentando me dizer que é hora de me abrir para novas histórias de amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Então tá. Quem sou eu para desobedecer meu alter-ego de seis portas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5140647706837335988?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5140647706837335988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/cronica-de-um-caos-anunciado.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5140647706837335988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5140647706837335988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/cronica-de-um-caos-anunciado.html' title='Crônica de um caos anunciado'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4180321963350014212</id><published>2011-10-19T01:14:00.000-03:00</published><updated>2011-10-19T01:14:33.010-03:00</updated><title type='text'>Seres Marginais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ele vinha solitário caminhando pela estação das barcas. Não parecia alegre nem triste. Nem disposto nem cansado. Vinha. E ninguém percebia sua presença. Estava ali, pelo simples acaso de existir, marchando em direção a lugar algum, provavelmente em busca da única coisa que lhe apaziguaria a alma: um restinho de comida qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não sei por que que as pessoas têm tanta dificuldade de conviver com seres marginais. Não os marginais fora-da-lei, mas aqueles que estão à margem da sociedade. São sempre escorraçados. Mal tratados. Desrespeitados. E o pior é que no fundo, só desejam o ser e o estar invisíveis para justamente não incomodar ninguém. Coitados. Sempre incomodam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Bom, mas nesse dia, a minha alma justiceira se inflamou na estação das barcas justamente por causa de um ser marginal. No caso, um pombo cinza desses que todo mundo não quer nem passar perto. O pobre estava quieto, lanchando seu biscoitinho num canto, quando veio um sujeito do nada e lhe deu um chute, sem dó nem piedade. Quando vi a atrocidade, saltei para cima do cara como quem parte em defesa de um filhote. Com o coração aos pulos, perguntei aos gritos pro malvado: “Vem cá, o senhor tá maluco? Enlouqueceu?” Ele tava com cara de quem tinha bebido. Com os olhos vermelhos, meio esbugalhados. Esquisito que só. Demorou um tempão para entender minha pergunta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas eu não me intimidei. Fiquei ali parada em frente ao homem, corajosa e feroz, esperando qualquer resposta que fosse para o crime. Me sentindo o Robin Hood das aves. A Evita Perón dos despenados. Mas é claro que o cretino não conseguiu me responder nada. Ficou me olhando com cara de basbacão depois saiu resmungando uns palavrões até desaparecer na multidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Procurei meu amigo para ver se precisava de socorro mas o infeliz já tinha partido. Eles podem ser pacíficos, mas não são bobos. Sinceramente, o que é que leva uma pessoa a dar um toco num pombo? Provavelmente a mesma coisa que leva uma pessoa a colocar fogo num mendigo. Taí. Coitados dos pombos, são a classe-mendigo das aves. Tudo bem, eu sei que eles transmitem doenças e isso já está arqui-comprovado. Mas por isso a gente extermina a espécie feito barata? Trata os pequenos como a verdadeira escória avícola? E não é justamente o pombo o símbolo da paz?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Será que as pessoas sabem que os pombos tem uma perspectiva de vida na cidade de cinco anos e no meio da natureza de quinze? Será mesmo que elas acham que eles gostam de viver aqui e serem enxotados o tempo todo? Caramba. Aposto que ninguém sabe que os pombos são umas das únicas espécies de aves que formam um par a vida toda. E que quando vieram para o Brasil – eles são de origem européia, imagine – foram trazidos nos navios portugueses para serem servidos de alimento para a tripulação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É minha gente, antes de ser considerado uma praga urbana, neguinho comia pombo ensopadinho, igual galinha. Acho-te uma graça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4180321963350014212?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4180321963350014212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/seres-marginais_19.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4180321963350014212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4180321963350014212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/seres-marginais_19.html' title='Seres Marginais'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4094135265554408937</id><published>2011-10-10T15:32:00.011-03:00</published><updated>2011-10-14T04:15:33.721-03:00</updated><title type='text'>Caravana Urbana</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZF5dHgxljP4/TpM6_90rU-I/AAAAAAAAAPc/F5X_fucn0LE/s1600/metro2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="238" kca="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZF5dHgxljP4/TpM6_90rU-I/AAAAAAAAAPc/F5X_fucn0LE/s320/metro2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Transportes coletivos são uma experiência antropológica fascinante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um laboratório perfeito para observação e tentativa de compreensão dos costumes humanos. Tem muita gente que detesta pegar ônibus e metrô. Eu adoro. É o único lugar onde a gente tem a chance de viver determinadas situações. É claro que eu prefiro metrô. Os ônibus no Rio de Janeiro são calorentos, barulhentos e fedorentos. Muitos “entos” para uma coisa só. Já metrô é outra história. Tem ar condicionado, é mais seguro, confortável e ainda por cima tem aquela musiquinha ambiente nas estações. E a pinta de trem europeu. Acho chique. É o meu favorito.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Já vivi de tudo no metrô.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Outro dia peguei o trem na Carioca para ir à terapia. Faço uma jornada para ir até lá - já que moro em Niterói e a terapia é na Tijuca – e por isso tenho que pegar ônibus, barca e metrô. Faz parte do processo. A estação da Carioca geralmente está cheia, a qualquer hora do dia. Só que nesse dia, não sei por que, a coisa tinha colapsado. Gente saindo pelo ladrão. Para sair e para entrar. O que eu acho curioso é a postura das pessoas diante da epopéia para se entrar no vagão. Não, porque elas não estavam entrando. Estavam se encaixando, como sardinha em lata, espremidas umas pelas outras, desesperadas em não perder a viagem. E o pior... agindo normalmente diante daquela situação medieval. Gente, o que é isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu fui, mas fui porque estava muito atrasada. Só que na hora de entrar, fui imprensada entre vários corpos. Pronto, bastou a porta fechar para me dar uma vontade desesperada de rir. Vejam bem: na minha frente, grudado no meu nariz, estavam os peitos gigantescos de uma negona, trabalhados num decote sensual e abundante. À minha direita, a catinga inebriante de um sovaco cabeludo de um ser com camiseta cavada. À minha esquerda, um executivo seríssimo de paletó e gravata e atrás, bem atrás de mim - grudado na minha bunda - um velhinho desdentado para lá de safado que não parava de me sarrar. Não dá para se levar a sério uma situação dessas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Tá, eu sei que a ocasião faz o ladrão e que 90% das pessoas ali não tem escolha. Mas o que me choca é como que as pessoas reagem àquela situação. É surreal. De repente, se cria entre elas uma intimidade forçada. Elas estão grudadas umas nas outras, cafungando o pescoço de um, encostando suas partes íntimas no outro, num amasso grupal sufocante, onde não há como fugir. É uma catarse comportamental. Um apogeu sensorial. E todo mundo vivendo isso com cara de pudim. Como é que pode?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Já vivi coisas extraordinárias no metrô.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Uma vez uma moça começou a explicar para a vizinha ao lado, sua amiga, como se fazia um ensopadinho de frango com ervas. Nos mínimos detalhes. Só que eram seis horas da tarde e provavelmente 99% das pessoas ali estavam famintas. Eu reparei. As pessoas começaram a olhar para ela e imaginar cada um daqueles sabores... e a sentir o cheiro da cebola que você frita no azeite, depois coloca o frango... nossa senhora! O povo ficou desesperado com o relato. Teve gente até babando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em metrô se ouve de tudo. Não é só receita não. Há discussões filosóficas, políticas, religiosas. Casal discutindo relação. Gente contando segredo achando que não tem ninguém ouvindo. E a diversidade de cheiros? Sentar do lado de alguém cheiroso para mim é quase como ver arco-íris depois da chuva, uma loteria. Adoro. Fico lá curtindo aquele paraíso e por dentro agradecendo o bom gosto do vizinho. Mas nem sempre tenho essa sorte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Com o olfato apurado que tenho, faço viagens que são um verdadeiro tormento. Sinto de longe os sovacos vencidos, os bafos matinais, a calça jeans do menino que não secou direito, a naftalina no casaco da velhinha. Mas é claro que não há nada, absolutamente nada pior, do que quando alguém solta um pum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu vivi uma catástrofe dessas outro dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Estava presa entre quatro corpos quando senti um ventinho nefasto vindo debaixo. No primeiro momento me deu uma onda de enjôo. Depois quis olhar bem para cada um dos suspeitos do crime. Mas não adiantou. Depois do pum, cada um olhou para um lado. Tipo “não estou sentindo nada”. O bom é que do enjôo e da raiva, eu pulei logo pro estágio divertido que é a vontade incontrolável de rir. Quem sabe um dia, eu ainda consigo ter a cara de pau de perguntar bem alto para todo mundo ouvir: “Pessoal, fala sério, quem peidou?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas o melhor que se pode viver dentro de um metrô é uma paquera. Uma paquera inesquecível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ele tinha o braço todo tatuado, mas o que me chamou a atenção no desenho era o Buda, colorido e sorridente, perto do cotovelo. Estávamos todos em pé, segurando aquela barra de metal entre as saídas do vagão. Eu, ele e mais umas quatro pessoas. Nossos braços, esticados, formavam uma flor humana perfeita. Eu olhei para ele. Ele me olhou. E como nas frações de segundo mágicas que acontecem as vezes, naquele instante, nos encantamos um pelo outro. Só pelo olhar. Só por todo o universo existente em cada um de nós que trocamos naquele olhar. Essas coisas difíceis de explicar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ele não era bonito. Meio baixinho. Provavelmente, tinha acabado de sair do banho, porque os cabelos – bem pretos, encaracolados – ainda estavam molhados. Aquela primeira olhada tinha me gelado por dentro. Isso é curioso numa paquera. Milhões de pessoas trocam olhares por dia em todas as estações de metrô do mundo. Por que as vezes a gente olha para uma única pessoa e sente um troço esquisito por dentro? Tomamos coragem e nos olhamos de novo. Dessa vez por uns segundos&amp;nbsp;à mais. Pronto. Foi o que bastou para eu ficar mole. Meu coração agüenta pouco esse tipo de emoção. Fora que eu fico meio envergonhada com a platéia. A flor de braços já tinha sacado nossos olhares. Óbvio! Tava saindo faísca. Peguei o celular para disfarçar. Ele fez o mesmo. Pensei comigo: que pena que não existe um bluetooth automático para se captar o telefone do vizinho... Ele deve ter lido meu pensamento, porque sorriu na mesma hora. Um sorriso Colgate, cheio de dentes lindos e brancos. Olhamos para o chão. Depois para o céu, para todas aquelas estrelas que tinham surgido ali sobre nós dois. Mais uma estação se passou. De repente, ele me olhou sério como se quisesse me dizer qualquer coisa. O trem parou e ele foi se distanciando de mim. Quando eu vi, já estava do lado de fora do trem. A porta fechou e a gente continuou se olhando. Se despedindo pelos olhos, como se fossemos um casal apaixonado que está se separando pela primeira vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Foi quando eu ouvi a voz de um senhor que estava na minha frente dizer: &lt;em&gt;deu bobeira menina, devia ter saltado com ele e trocado telefone.&lt;/em&gt; Olhei bem para cara do sujeito sem acreditar no que ouvia. Será que eu tava sonhando? Nunca esqueci aquele dia. E se ele fosse o amor da minha vida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Surreal? Não. Isso é coisa de quem freqüenta caravana urbana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4094135265554408937?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4094135265554408937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/caravana-urbana.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4094135265554408937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4094135265554408937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/caravana-urbana.html' title='Caravana Urbana'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ZF5dHgxljP4/TpM6_90rU-I/AAAAAAAAAPc/F5X_fucn0LE/s72-c/metro2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-1936196467699164099</id><published>2011-10-03T15:58:00.002-03:00</published><updated>2011-10-03T16:00:08.141-03:00</updated><title type='text'>Simpatia é Amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-H2LS5aGuYH0/TooFy20shlI/AAAAAAAAAPM/F83bNUGhz3s/s1600/Shrek2-Banner-Donkey.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" kca="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-H2LS5aGuYH0/TooFy20shlI/AAAAAAAAAPM/F83bNUGhz3s/s320/Shrek2-Banner-Donkey.jpg" width="212" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu estava na fila do banco. Fila de banco geralmente é um lugar perigoso. Se você der mole, pode levar uma mordida de alguém. As pessoas, que estão sempre com pressa, na fila do banco estão insuportavelmente apressadas. Bufam de minuto em minuto a impotência de não poder fazer nada contra o tempo que corre e a fila que não anda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu, que não sou boba nem nada, sempre levo alguma coisinha para ler. Não sei se para me entreter ou se para me salvar do mau humor do vizinho ao lado. A questão é que nesse dia eu estava lá na fila do banco e mesmo tendo em mãos um artigo interessantíssimo sobre formigas para ler, de tempos em tempos, levantava a cabeça para observar as pessoas. Se tem uma coisa que eu adoro fazer é observar as pessoas. Nos mínimos detalhes. E quando tenho tempo, ainda invento uma história para cada um. Pois bem. Nesse dia enquanto eu levantava a cabeça, a moça que tava na minha frente na fila, se virou e olhou para mim. Trocamos rapidamente um olhar e do nada - do nada mesmo – ela me abriu um sorriso enorme, desses que tem dentro um sol inteiro brilhando.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Aquele sorriso me derreteu. Inundou minha alma de um sentimento tão puro, tão profundo, que eu devolvi a ela o melhor sorriso que podia, o maior que tivesse no meu repertório de sorrisos. E naquela fração de segundos ficamos daquele jeito, trocando uma espécie de amor incondicional, que só existe em gente que tem a capacidade de amar dentro de peito.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;De todas as qualidades do ser humano, simpatia ainda é uma das que mais me espanta. Tenho verdadeiro fascínio por gente simpática. Porque é tão genuíno. Tão gratuito. E ao mesmo tempo tão generoso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Depois que a moça se virou, eu fiquei olhando de rabo de olho para ela. E pensando, o que faz uma pessoa ser assim? Educação? Índole? Temperamento? Será que as pessoas que são sempre simpáticas estão obrigatoriamente de bem com a vida? Não creio. Me lembro de uma vez ter ouvido um dos elogios mais sinceros que já ganhei na vida. Foi de um porteiro, o Luis. Ele disse assim: &lt;em&gt;Dona Tati, faça chuva ou faça sol, está sempre sorrindo. Eu sei que tem dias que a senhora está triste. Mas mesmo triste, tem sempre um pouco de doçura para nos dizer bom dia.&lt;/em&gt; Quem agüenta com uma coisa dessas? O dia que ouvi isso do Luis tive vontade de chorar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Acho que simpatia é uma coisa que a pessoa nasce com. Não é nada que se possa adquirir com o tempo ou moldar na própria personalidade por simples desejo. Simpatia é um dom. Uma dádiva concedida pela natureza que se espalha pelo mundo por absoluta osmose comportamental. O que faz uma pessoa assobiar na rua? Dar passagem para você entrar primeiro? Te abrir a porta do elevador - e mesmo que esteja no fim de um dia muito difícil, ainda assim - lhe dar um boa noite sonoro e verdadeiro? O que faz uma pessoa, mesmo sem te conhecer, te oferecer um sorriso ou uma ajuda para qualquer coisa que seja?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Simpatia que é prima da gentileza que é prima do amor. Tá tudo no mesmo pacote. Queria oferecer essa crônica àquela moça da fila no banco. Que eu nunca mais vou encontrar, nem sequer esbarrar. Mas que me ensinou profundamente o valor que a vida tem, quando a gente oferece ao outro, o sol que brilha dentro da gente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-1936196467699164099?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/1936196467699164099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/simpatia-e-amor.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1936196467699164099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1936196467699164099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/10/simpatia-e-amor.html' title='Simpatia é Amor'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-H2LS5aGuYH0/TooFy20shlI/AAAAAAAAAPM/F83bNUGhz3s/s72-c/Shrek2-Banner-Donkey.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3910197415833528251</id><published>2011-09-27T15:49:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T15:50:46.135-03:00</updated><title type='text'>O altar de todos os dias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-G0pFUK_YXlU/ToIaN1N6BtI/AAAAAAAAAPI/L7xV3GZSjAQ/s1600/Velas+com+4+elementos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" kca="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-G0pFUK_YXlU/ToIaN1N6BtI/AAAAAAAAAPI/L7xV3GZSjAQ/s1600/Velas+com+4+elementos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;“Fé é crer no que não vemos. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;O prêmio da fé é ver o que cremos”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Santo Agostinho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No dia que troquei a rotina pelo ritual, ganhei meu destino.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Aconteceu de um dia para o outro. Eu coloquei uma música, acendi uma vela e entendi que ou pegava minha vida no laço ou ela ia passar batida sem que eu conseguisse fazer nada do que desejava. E eu desejava muito. Muitas coisas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A vida é mais ou menos assim. Ela passa depressa, como um trem sem freio. E se a gente não se atenta, perde a viagem. Eu sempre tive dificuldade de encaixar minha alma no presente. Vivo viajando numa outra dimensão, flutuando na imensidão etérea da minha existência. Só que com isso, não consigo realizar quase projeto nenhum. Claro né. E pipa tem lá algum objetivo que não seja apenas... voar? Foi quando eu entendi que eu precisava mesmo plantar os pés no chão. Virar um Jequitibá falante. Enraizar minhas idéias, florescer meus projetos, tornar meus sonhos frutos maduros e suculentos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Descobrir o ritual foi quase como descobrir a pólvora. Porque nele está contido todo o extraordinário poder da intenção. Essa coisa simples e bonita que Deus nos deu e que a gente tem como um potencial radioativo bem no centro do peito. Mas uma coisa precisa da outra. Não adianta ter uma intenção clara e objetiva, se a gente não tem um lugar que nos faça olhar para ela diariamente. É preciso um plano de ação. Uma estratégia metódica para sacramentar a intenção.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Foi quando nasceu meu altar de todos os dias. Altar é um lugar qualquer que você elege dentro da sua casa que vai cercar o seu espaço sagrado. É lá que você vai reunir tudo o que considera importante para lembrar seus objetivos e consagrar diariamente os passos percorridos na sua caminhada. Qualquer objeto pode ser sacralizado. Se ele tem um propósito ou se você o considera um objeto de poder, o importante é que ele esteja lá. Independente da sua religião, todo o indivíduo pode ter um altar que represente a sua própria verdade. Ele deve ser pessoal e intransferível. E sobretudo um território livre para que as bênçãos caiam sobre ele com abundância e prosperidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Meu altar tem de tudo um pouco. Começando pelos quatro elementos: terra, água, fogo e ar. Esse quarteto fantástico reúne toda a sabedoria milenar que rege nosso planeta. Terra representa nosso corpo, nossa Mãe Terra. Nossa conexão com as matas, as árvores, as pedras. Água representa nosso sangue. Nossos oceanos, nossos rios. As águas internas que regem nossos sentimentos. Sangue, suor e lágrimas! Ar representa nosso sopro divino. Aquilo que nos dá a vida. E por fim, fogo representa nosso espírito. Nossa paixão. Nossa força criativa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;É mexendo neles que começo o processo. Em cima de uma toalha de linho branco, ajeito com todo o cuidado meu quadrado mágico metafísico: acendo a vela do dia, meu incenso cheiroso, honro a água que está no copo de vidro mais bonito da casa. Honro a flor que está dentro do copo, colhida diretamente do meu jardim para trazer beleza e delicadeza ao altar. Toco na pedra de cristal e lembro que foi colhida dentro de uma caverna, há alguns anos atrás. Fecho os olhos e sinto ser a conexão entre o meu Pai Céu e a minha Mãe Terra. Pronto. O portal mágico foi aberto. Depois é só colocar uma música especial tocando bem alto e começar a chamar a força e a presença do pessoal. Cada um vai fazer do seu jeito.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Depois que iniciei minha caminhada no xamanismo, começo sempre pedindo a benção do Grande Espírito. Depois chamo a força dos meus ancestrais sagrados, meus mestres espirituais, a guiança do meu animal de poder... nossa... é uma patota que eu chamo todo dia. E de repente eu sinto todos ali, reunidos sobre a minha cabeça, unidos para fazer da minha jornada um caminho aberto, próspero, abundante e equilibrado. Acho que nunca me senti tão assessorada em toda a minha vida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Engraçado, fé foi uma coisa que eu aprendi a ter depois de burra velha. E na verdade não acho que seja uma coisa que possa ser ensinada. Posso ensinar minhas filhas a ter confiança. A acreditarem profundamente em algo. Mas fé é um processo individual de busca. Uma força colossal que vem de dentro de nós. De um lugar muito profundo de nós. E isso não tem como ensinar a ninguém. Ele faz parte do processo de individuação de cada um de nós.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ah, foi tão bom quando eu aprendi a rezar. Eu sempre tive tanta dificuldade para falar com Deus. Não fui batizada em religião nenhuma. Meus pais nem tios nem avós tinham esse hábito. Mas eu sabia que orar tinha cara de ser uma prática poderosa. Tentei muitas vezes rezar o &lt;em&gt;Pai Nosso&lt;/em&gt;, mas nunca senti muita verdade naquelas palavras. Depois tentei a &lt;em&gt;Ave Maria&lt;/em&gt;. Ela tinha um quê de poder feminino. Mas a parte que eu precisava que ela &lt;em&gt;rogasse por nós pecadores&lt;/em&gt;... nessa parte minha boca travava. Pecadora? Mas eu não me sentia uma pecadora. Tudo que fazia na vida estava de acordo com o meu coração. Só preguei o bem e tinha um profundo respeito por todas as coisas. Como é que eu podia ser pecadora?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O dia que eu consegui ultrapassar todos os meus preconceitos, abri meu coração e falei: &lt;em&gt;“Deus, você está aí? Pode me ouvir? Olha, eu preciso falar umas coisas com você...”&lt;/em&gt; Nossa, esse foi um dos melhores dias da minha vida. Depois disso, foi só me abrir para o caminho espiritual que tudo o mais foi acontecendo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Faço a manutenção do meu altar, religiosamente, todos os dias. Troco as flores, a água, a vela, o incenso. Limpo. Renovo cada intenção em cada coisa. As vezes coloco pedacinhos de papel com palavras escritas. Outras, coloco fotos de alguém. O que me der na telha eu coloco. Basta ter uma motivação que venha de dentro. Pode ser uma concha, uma frase, uma pintura. Meu altar é um lugar inventado onde habitam todos os meus sonhos. Estar com ele é como estar com o mais genuíno de mim mesma. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Com tudo aquilo que anseio, acredito e desejo. É estar de frente para a estrada da minha vida e repetir, quantas vezes forem necessárias, quem sou, para onde vou e principalmente, o que vim fazer aqui. Ahow!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3910197415833528251?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3910197415833528251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/09/o-altar-de-todos-os-dias.html#comment-form' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3910197415833528251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3910197415833528251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/09/o-altar-de-todos-os-dias.html' title='O altar de todos os dias'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-G0pFUK_YXlU/ToIaN1N6BtI/AAAAAAAAAPI/L7xV3GZSjAQ/s72-c/Velas+com+4+elementos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-1561650063951135015</id><published>2011-09-26T16:04:00.002-03:00</published><updated>2011-09-26T16:05:34.653-03:00</updated><title type='text'>Florescendo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-VuGbEpQDe8s/ToDLRJL_hpI/AAAAAAAAAPE/7vpT1vr5WLc/s1600/flores-reserva.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" kca="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-VuGbEpQDe8s/ToDLRJL_hpI/AAAAAAAAAPE/7vpT1vr5WLc/s320/flores-reserva.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quando a primavera entrou na minha janela sexta-feira passada, eu pensei: &lt;em&gt;meu deus, eu não acredito que já faz cinco meses que eu me despedi do blog.&lt;/em&gt; Me lembro a repercussão que teve aquela “carta de despedida”. A quantidade de gente me ligando, aflita, querendo saber direito para onde eu tava indo e que tom era aquele de suicídio. Puxa vida. Tive que acalmar um por um. Explicar que a jornada era para dentro e que a decisão de &lt;em&gt;viajar&lt;/em&gt; tinha a ver com uma preparação que o outono me exigia, para agüentar a barra de enfrentar o inverno dentro de mim mesma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Desde que comecei a trilhar o caminho vermelho, a viver minha vida de acordo com as tradições do xamanismo, honrando o conhecimento, a espiritualidade, a sabedoria e a medicina através das rodas de cura, eu entendi que todas as respostas que eu buscava estavam dentro de mim. Por isso, o desejo de me recolher estava tão latente. A gente tem sempre tantos estímulos externos, tanta coisa que nos puxa para fora. Eu sabia que só mergulhando para dentro do meu coração, poderia achar algum sentido para toda essa loucura que a gente vive, todos os dias, todos os meses e anos da nossa vida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Se eu achei algum sentido?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A gente, claro que não né. Eu trouxe foi um bocado de aprendizados. Porque o sentido da vida nada mais é que uma incrível coleção de aprendizados. E se a primavera chegou, é sinal que um novo ciclo começa e que mesmo que eu não me sinta pronta, eu preciso me deixar florescer.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Por isso estou de volta ao blog, trazendo os textos que escrevi durante a hibernação, que infelizmente - ao contrário dos ursos - me deu uma fome gigantesca e me fez comer muito no inverno. Isso que dá trabalhar em casa. Ainda bem que eu comecei a natação.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Outra novidade é que volto a assinar meus textos com o meu nome verdadeiro, Tatiana Monteiro. Me despeço do Telink com toda a gratidão por tudo que esse nome me trouxe. Mas entendi que tudo que não é reconhecido, não é celebrado. E o que não é celebrado, acaba saindo da nossa vida. Quero trazer de volta o nome que fui registrada. Ele tem a força dos meus ancestrais sagrados, aqueles que me ajudam e me ancoram em tudo aquilo que de fato, vim fazer aqui.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sejam todos muito bem-vindos. Vocês e a primavera!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ahow!﻿&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-1561650063951135015?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/1561650063951135015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/09/florescendo.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1561650063951135015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1561650063951135015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/09/florescendo.html' title='Florescendo'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-VuGbEpQDe8s/ToDLRJL_hpI/AAAAAAAAAPE/7vpT1vr5WLc/s72-c/flores-reserva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4472211854285112640</id><published>2011-04-23T03:38:00.002-03:00</published><updated>2011-04-23T03:45:25.197-03:00</updated><title type='text'>CARTA DE DESPEDIDA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7dcyI_w-C3E/TbJnrjn6Q_I/AAAAAAAAAOA/9kN3CfWb7nM/s1600/Buscadora.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-7dcyI_w-C3E/TbJnrjn6Q_I/AAAAAAAAAOA/9kN3CfWb7nM/s320/Buscadora.jpg" width="214" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Esta é uma carta de despedida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Ou um desejo profundo de dar satisfação àqueles que me perguntam porque tenho escrito tão pouco, àqueles que não entendem porque tenho escrito tão pouco e principalmente àqueles que estão muito bravos por eu escrever tão pouco. A todos, um abraço apertado de muito obrigada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Depois de muita elaboração e insônia, cheguei a conclusão que é chegada a hora da partida. Hora de dar o primeiro passo rumo à uma jornada que há muito tempo tenho adiado: a de ir em busca do que faz sentido na minha vida. Porque é aquela coisa né gente, a Liz Gilbert que me perdoe (eu amei COMER, REZAR e AMAR) mas fazer uma jornada em busca da vida sem a menor preocupação de nada pela Itália, Índia e Indonésia é mole. Agora quero ver fazer isso todos os dias no mesmo endereço, ganhando pouco, na rotina massacrante do cotidiano, sozinha para resolver todos os problemas financeiros e domésticos, cuidando de duas filhas pequenas e ainda tendo que dar conta dos pesadelos da noite e das malcriações do dia. Isso sim é desafio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Percebi que a única forma de fazer essa jornada é arrumando uma trouxinha e partindo em direção à Estrada Amarela. Aquela que me levará ao Mágico de Oz. Que me dirá que as respostas que tanto busco, não estão em lugar algum a não ser dentro de mim mesma. Parece fácil, mas não é. O projeto não é parar de escrever, e sim, escrever todos os dias. Sobre essa viagem. E quem sabe um dia, transcrever esse diário e transformá-lo num livro de auto-ajuda igualzinho ao da Liz Gilbert, só que numa versão terceiro mundista tupiniquim. Tô brincando. O objetivo da jornada é a jornada mesmo. O que vai acontecer depois realmente não tem a menor importância. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Escrever nesse blog é maravilhoso. Sempre foi. Essa coisa de elevar o insignificante, colocar uma lupa naquilo que pouca gente consegue ver, tentar contar a parte invisível das histórias é fascinante. Mas eu preciso focar minha energia num projeto só ou vou acabar ficando louca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Semana passada estive numa psiquiatra. Sentei na cadeira e desabei. Contei que nem a terapia, nem a meditação nem as orações estavam dando conta do meu equilíbrio. Pedi desesperada: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;moça, me dá aí uma droga qualquer para me ajudar a passar por esse pedaço... quero fazer tantas coisas, mas o corpo não reage. Tenho cansaço e tristeza todo dia... Se eu continuar assim vou morrer... &lt;/i&gt;Ela me acalmou, claro - porque que eu tenho que ser sempre tão dramática? - e disse que eu não parecia uma pessoa deprimida e sim sob forte estresse pelos acontecimentos da vida. Mas mesmo assim me receitou um anti-depressivo (que ia me ajudar a formar um escudo protetor) e um ansiolítico (para me acalmar e me deixar &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;pianinho&lt;/i&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Fui para casa e tomei o lance. Uma hora. Duas horas. Comecei a ficar enjoada. Boca seca. Um bocejo. Dois. Dez. Vinte! Caramba! Fui ficando chapada, meio grogue, meio apática. Dormi feito uma pedra. No dia seguinte liguei para ela. Questionei o processo. Ela disse que era assim mesmo. Que o corpo estava se acostumando à droga e que depois de uns dias, todos os efeitos colaterais iriam passar. Desliguei, peguei as caixinhas de tarja preta e joguei tudo no lixo. Tá louca que eu vou fazer isso com o meu corpinho! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;A verdade nua e crua é que não existe saída do meu labirinto. Sair significa entrar ainda mais. Primeiro ter coragem de olhar para cada canto, depois começar o difícil processo de eliminação. De tudo que está velho, que não serve mais, tudo aquilo que simplesmente não tem mais sentido. Limpar o coração, olhar pro que eu faço todos os dias e perguntar... &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;meu deus, será que isso é meu ou é do vizinho e eu peguei para mim por um wireless equivocado?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Sei lá. Eu tô realmente acreditando que a cura para minha depressão é mesmo renovar os meus propósitos e só ter pensamentos que apoiem essa minha mudança. Abrir mão de controlar tudo. Esse é o grande ensinamento. O master. O top. Eu fico aí me maldizendo, reclamando de ser uma &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Drama Queen&lt;/i&gt;, mas a grande verdade é que essa morte que eu tanto falo e tanto temo, precisa acontecer. Só renasce quem se permite morrer. Só alcança leveza, quem se livra de tudo aquilo que pesa. Como na cena final de “Viagem a Darjeeling” quando ele corre desesperado atrás do trem e sai largando todas as malas para trás, uma a uma. Que sensação maravilhosa essa de deixar para trás tudo aquilo que não serve mais. Ai... um longo processo. E para isso, só pegando a Estrada Amarela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Esta é uma carta de despedida. Mas acabei de descobrir que não estou me despedindo de vocês. Estou me despedindo de mim mesma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Volto quem sabe na primavera. Celebrar com vocês tudo aquilo que em mim vai poder enfim florescer.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Um beijo em cada um,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tatiana&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4472211854285112640?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4472211854285112640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/04/carta-de-despedida.html#comment-form' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4472211854285112640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4472211854285112640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/04/carta-de-despedida.html' title='CARTA DE DESPEDIDA'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7dcyI_w-C3E/TbJnrjn6Q_I/AAAAAAAAAOA/9kN3CfWb7nM/s72-c/Buscadora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-1194780020570331803</id><published>2011-03-17T11:16:00.001-03:00</published><updated>2011-03-17T11:17:28.078-03:00</updated><title type='text'>LUZ NO FIM DA SOMBRA</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;“Algún día, en cualquier parte, en cualquier lugar indefectiblemente te encontrarás a ti mismo,&amp;nbsp;y ésa... sólo ésa, puede ser la más feliz o la más amarga de tus horas.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana;"&gt;Pablo Neruda&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-Pa3gUqkjkds/TYIXbRZBXLI/AAAAAAAAAN4/3uim5qzBr4g/s1600/caverna.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="https://lh5.googleusercontent.com/-Pa3gUqkjkds/TYIXbRZBXLI/AAAAAAAAAN4/3uim5qzBr4g/s320/caverna.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;E então, de repente, tudo escurece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;E onde havia luz, clareza e leveza, se transforma num quarto escuro, abafado e aflito. A vida é assim, eu sei. Dia e noite. Noite e dia. Luz e sombra. Mas a questão é que quando anoitece dentro da gente é assustador. Já passei por algumas crises de tristeza e depressão. Até de pânico já tive que me tratar. Porque a vida é assim, para quem está vivo. Uma montanha russa nada divertida de controvérsias emocionais. A gente vive porque respira. Porque acorda no dia seguinte mesmo que tenha tomado um calmante. Porque a realidade do lado de fora não respeita nosso sofrimento interno. Porque o sol nasce e não espera a esperança acordar. O mundo gira freneticamente e por mais que em algum momento a gente peça desesperadamente para o mundo parar, ele não pára. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Há uma linha muito tênue que divide a luz da escuridão. Mas para quem já atravessou essa divisa, sabe que do outro lado, há um lugar desconhecido e aterrorizante. Porque este lugar está, exatamente, dentro de cada um de nós. E é nessa sombra que mora tudo aquilo que desejamos guardar, esconder, fingir que não existe. Segundo Jung, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser&lt;/i&gt;. E por mais que tentemos usar de todos os subterfúgios externos possíveis, um dia, sem mais nem menos, tudo escurece. E o que havia estado escondido, aparece para nós como um bicho feroz, cheio de dentes afiados e um olhar demoníaco. E passamos a viver um pesadelo mesmo estando acordados. Dizem que quanto mais tentamos conter nossa sombra, mais negra e densa ela se torna. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Durante muito tempo da minha vida tentei driblar meus demônios. Quando a escuridão vinha, eu me escondia de mim mesma sem que ninguém percebesse, num lugar bem quieto e esperava de olhos fechados, o bicho cabeludo passar. Nunca me passou pela cabeça a possibilidade de acender uma vela sobre nenhuma característica nefasta minha que surgisse por ali. Fazer isso como? Com que armas? Com meu otimismo ridículo? Com essa minha fé desconfiada? É preciso coragem para viver. Mas é preciso muito mais do que coragem para enfrentar o que somos. E o pior, enfrentar o que há de mais vergonhoso em nós. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Na minha sombra habitam Tatianas imorais, Tatianas suicídas, Tatianas sem esperança, inflamadas de um rancor dolorido com a vida e com Deus. E a cada vez que anoitece e essas Tatianas surgem, eu choro sem parar, porque tenho muito medo de que um dia, elas tomem conta do que há de melhor e mais puro em mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Talvez tenha chegado a hora de acender as tais velas no subterrâneo da minha alma. Acender velas ou tecer palavras incandescentes que possam iluminar meu caminho. Essa coisa de escrever tem me enchido de uma coragem &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;samuraica&lt;/i&gt;. Não sei de onde isso vem, mas é gigantesco. Draconiano. Estupendo. É com as palavras que quero enfrentar minha escuridão. Porque é com elas que posso sair inteira dessa caverna sombria que, tantas vezes, me obrigo involuntariamente a entrar. Porque por mais esclarecedor que seja o enfrentamento da sombra, é na luz que geramos vida. É na luz que se vive plenamente. É na luz que se amanhece por dentro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-1194780020570331803?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/1194780020570331803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/03/luz-no-fim-da-sombra.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1194780020570331803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1194780020570331803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/03/luz-no-fim-da-sombra.html' title='LUZ NO FIM DA SOMBRA'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-Pa3gUqkjkds/TYIXbRZBXLI/AAAAAAAAAN4/3uim5qzBr4g/s72-c/caverna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-578988183631312292</id><published>2011-03-04T01:23:00.008-04:00</published><updated>2011-03-04T01:40:14.806-04:00</updated><title type='text'>Bipolaridade Materna</title><content type='html'>&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-afQ4v3QXJp4/TXB29ShXvLI/AAAAAAAAAN0/v3CEVgbby78/s1600/maitena.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://lh5.googleusercontent.com/-afQ4v3QXJp4/TXB29ShXvLI/AAAAAAAAAN0/v3CEVgbby78/s200/maitena.jpg" width="185" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;Arte de Maitena&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px;"&gt;Minha bipolaridade materna ainda vai me enlouquecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Não sei quantas mães passam por isso. Não sei dentro de quantas casas isso acontece. Mas a verdade é que tem dias que eu preciso sair correndo e ir dar um grito bem histérico na varanda. Mesmo que seja um grito histérico mudo, para não assustar as meninas nem os vizinhos. Uma das minhas tentativas desesperadas de equilibrio psicológico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Gente, criança é uma dádiva. Em todas as fases. Em todos os sentidos. Conceber, parir, alimentar. Depois ver crescer, se desenvolver, desabrochar. Esses anjos caídos do céu tem o cheiro mais inebriante que eu já senti. Eles tem pele de nuvem. São espontâneos, adoráveis, amorosos. E conseguem conter dentro daquele corpinho minúsculo, o melhor e mais genuíno da nossa espécie. Mas as vezes - muitas vezes – também são as criaturinhas mais insuportáveis do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Deixa eu explicar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Quem me conhece sabe que eu sou, desde que as gurias nasceram, um coração partido em dois batendo fora do corpo. Foi depois que Clarabela e Catalinda chegaram, que minha vida passou a ter sentido. Não que antes a vida não fosse maravilhosa. Ela era. Mas sentido, não tinha não. Minhas meninas me trouxeram em suas asas uma certeza etérea de pertencimento ao mundo. Uma resposta concreta às perguntas mais existenciais que eu já tinha feito às estrelas. Um entendimento absoluto da minha capacidade de amar e me doar em forma de leite, afeto e compreensão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Mas quando os nenéns deixam de ser nenéns e se tornam essas coisinhas que andam e gesticulam e falam e se acham gentinha, trazem com elas acoplado às bochechas, um teste diário de paciência, resistência e benevolência. E é aí que a gente entra em contato com um adormecido monstro do Lago Ness dentro de nós. Porque essas nossas criancinhas provocam na gente os mais contraditórios sentimentos. Dizem as más linguas psicanalíticas, que quem sofre o rompante dessa raiva colossal, nem sempre é a Tatiana adulta e consciente e sim, uma criança interna minha que de alguma forma foi ferida e reage lá de dentro com um sentimento quase sempre... infantil. Hã... é, pode ser. Mas independente de quem ou o quê acorda o meu monstro no fundo do lago, a questão é que me assusta muito a percepção dessa bipolaridade que meu coração é capaz de chegar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;A oscilação entre amor e ódio ocorre entre segundos. Dou o grito. Ela não obedece. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Mas é quarta vez que eu estou pedindo para você entrar no banho! &lt;/i&gt;Ai ela dá um sorriso. Eu me desmancho. Finalmente entra no chuveiro. Outra malcriação. Agora o drama é para passar o xampu. E eu penso comigo: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;meu deus, eu tô tão cansada...&lt;/i&gt; Ela retruca: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mas mamãe, eu tenho dileito de fazer tudo sozinha!&lt;/i&gt; Aí eu acho lindo. E me encho de orgulho por esse desejo dela de emancipação. O trocinho só três anos! O tempo passa. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Vamos sair do banho, meu anjo?&lt;/i&gt; Agora a manha é para sair do banho. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Mas você chorou tanto para entrar, não dá para variar um pouco o repertório e não chorar para sair?&lt;/i&gt; Não. Não dá. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Ela tá cansada&lt;/i&gt; - eu penso. Paciência, mamãe, paciência... &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Catarina!&lt;/i&gt; Ela cruza os braços e me dá as costas. Para não enforcar o pescocinho, vou até a cozinha tomar um chá mate. Respiro fundo. Volto e digo alto e em bom tom: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Vamos sair A-GO-RA.&lt;/i&gt; Ela diz que não. Então eu desligo o chuveiro e uso minha força para colocá-la para fora. Firme, a coloco em pé em cima do tapetinho do banheiro. Ela recolhe as pernas. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Senhor, alguém me ajuda!&lt;/i&gt; É quando finalmente eu dou o grito que balança a casa. Ela se assusta. Coloca os pés no chão devagarinho. E das duas bilhas castanhas saltam duas gotas de lágrimas sentidas e transparentes. Aquele choro sofrido. Mudo. Decepcionado. Meu coração se contrai e eu penso: c&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;omo posso ser tão megera?&lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Alou? Alguém pode me internar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Nessas horas eu não penso em mais nada. Claro, porque depois do choro ela diz sempre: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mamãe, será que você pode me dar um abracinho agora?&lt;/i&gt; Mas depois... depois que eu me acalmo e volto a ter algum discernimento, entendo que não vai dar nunca para compreender o que é um coração bipolar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Vocês acham que a coisa pára por aí? Não... a coisa não termina nesse &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;happy end&lt;/i&gt; lindo. Minha noite ainda me reserva todo um processo de vestir pijamas, pentear cabeleiras e escovar dentes. É. Escovar dentes. Praticamente um pesadelo para mim. Por que? Porque Catarina é o tipo de criança que tranca a escova na boca enquanto estou escovando os dentes dela. Uma delícia de criança. E quando eu acho que tudo acabou, que o quarto está escuro e elas estão em silêncio, minha grandona pula da cama e grita desesperada: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Mas mamãe... e o nosso Toddy? Você esqueceu o nosso Toddy!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;A verdade é que desde que eu fiquei sozinha a coisa toda piorou muito. Essa aventura de ter filhos pequenos é para quem sempre desejou ter uma vida selvagem. Mas eu nunca desejei ter uma vida selvagem sozinha. P&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;orque por mais presentes que sejam os ex-maridos, é no cotidiano que a gente sofre essa solidão cansada e se descabela quando desconfia, que esse modo de vida, nunca mais vai mudar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Eu sei que vai. &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Um dia esse tempo vai passar e eu vou olhar as fotos delas com uma saudade dilacerante de quando elas eram pequenininhas. É injusta essa parte da evolução da espécie. Porque eles crescem e viram nossos amigos. Companheiros de caminhada, espectadores da nossa história. É maravilhoso. Mas ainda assim é duro saber que de alguma forma, aquelas crianças bagunçeiras e melequentas, a gente não vai poder segurar no colo nunca mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Hummm. Pensando bem... ainda bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-578988183631312292?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/578988183631312292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/03/bipolaridade-materna.html#comment-form' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/578988183631312292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/578988183631312292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/03/bipolaridade-materna.html' title='Bipolaridade Materna'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-afQ4v3QXJp4/TXB29ShXvLI/AAAAAAAAAN0/v3CEVgbby78/s72-c/maitena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-678491825772630525</id><published>2011-02-18T13:00:00.018-04:00</published><updated>2011-02-18T13:35:47.027-04:00</updated><title type='text'>Mini-conto de amor</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ela está parada no sinal, dentro do carro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Na pista ao lado, pára um outro carro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Dentro, há um homem lindo, olhando para ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ela desvia o olhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Depois de alguns&amp;nbsp;segundos, toma coragem e resolve olhar de novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ele continua a olhar para ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;É, sem dúvida, é um homem lindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;De repente, o homem faz uma careta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ela leva um susto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Séria, ela também faz uma careta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt;"&gt;Ele lhe devolve outra careta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Começam a competir quem faz a careta mais horripilante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;De repente, ele não aguenta e dá uma gargalhada com a última careta que ela faz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ela desaba e começa a rir também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;É quando ela descobre que ele tem o sorriso mais lindo que ela já viu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;O sinal abre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Os dois percebem e se olham.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Atrás, os carros começam a buzinar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ele se despede com a olhar, acelera e vai embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ela, nervosa, engata a primeira mas deixa o carro morrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Vê de longe o carro indo embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Fica tão triste que acaba se sentindo a mulher mais ridícula do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;O carro finalmente pega. Ela engata a primeira e vai embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Fim&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 10.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-678491825772630525?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/678491825772630525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/mini-conto-de-amor.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/678491825772630525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/678491825772630525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/mini-conto-de-amor.html' title='Mini-conto de amor'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-1787556136073783027</id><published>2011-02-16T14:49:00.003-04:00</published><updated>2011-02-16T14:52:13.704-04:00</updated><title type='text'>As Máximas da Clara IV</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Há semanas vinha falando sobre mesada. Toda hora voltava no assunto. Insistentemente. Até que chegou uma hora que eu cansei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Clara, eu não &lt;em&gt;tenho&lt;/em&gt; que te dar mesada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Tem sim mãe. Você tem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Não, minha filha. O que eu tenho que te dar é amor, carinho, proteção, educação, apoio, comida gostosa e fresquinha, cama macia e roupinha lavada todo dia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Mãe, você precisa me dar mesada. Só assim eu vou conseguir guardar dinheiro para quando você ou o papai estiverem sem, não precisarem pedir para mais ninguém. Só para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Caí dura para trás. Bem feito para mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-1787556136073783027?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/1787556136073783027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/asmaximas-da-clara-iv.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1787556136073783027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1787556136073783027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/asmaximas-da-clara-iv.html' title='As Máximas da Clara IV'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4799602879485459288</id><published>2011-02-13T10:59:00.001-04:00</published><updated>2011-02-13T11:05:28.493-04:00</updated><title type='text'>Arte!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/AdWcFp0NWCw/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AdWcFp0NWCw&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/AdWcFp0NWCw&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4799602879485459288?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4799602879485459288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/arte.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4799602879485459288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4799602879485459288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/arte.html' title='Arte!'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3183858630038348047</id><published>2011-02-12T01:12:00.001-04:00</published><updated>2011-02-12T01:53:15.989-04:00</updated><title type='text'>Emplastro de Vinagre com Sal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-i93GqwrvnZw/TVYfwUumhSI/AAAAAAAAANQ/h9pX5HBwYlE/s1600/florarame.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; display: inline !important; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-i93GqwrvnZw/TVYfwUumhSI/AAAAAAAAANQ/h9pX5HBwYlE/s320/florarame.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Eu era pequenininha quando resolvi cruzar uma cerca de arame farpado. Me arrastei feito uma cobra no chão de terra batida para chegar depressa do outro lado. Desde pequena eu tenho pressa. Mas calculei mal o espaço para entrar. Voltei para casa carregada pela minha irmã, aos prantos, com três sulcos de pele rasgada nas costas. Foi quando eu entrei em casa que eu vi, refletido nos olhos da minha mãe, a gravidade do ferimento. O hospital ficava longe, a viagem era por uma estrada esburacada num jipe desconfortável e naquela hora, já anoitecia. Ela não teve dúvida. Foi na cozinha e voltou com um pote fundo cheio de vinagre com sal. Olhou sério para mim e disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;- Filha, se prepara porque vai doer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;O emplastro de vinagre com sal da minha mãe era como um santo remédio. Ardia como fogo, mas me curava toda e qualquer ferida. Nunca precisei tomar antibiótico nem antitetânico na infância. Porque nada inflamava depois daquele emplastro. Naquele dia, a dor que eu senti para me livrar da dor, era como se uma faca tivesse cortando o próprio corte do arame.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Minha mãe tinha um compromisso com a verdade a respeito de dor. Quantas vezes fui tomar vacina e a enfermeira tentando ser simpática, sorria para gente dizendo: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Olha fofinha, não vai doer nada tá? Vai ser bem rapidinho.&lt;/i&gt; E ela enfurecida saia atropelando a mulher, para ajoelhar na minha frente e dizer: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Isso não é verdade, filha. Isso é uma injeção e vai doer sim. Mas é pro seu bem, você precisa passar por isso. &lt;/i&gt;Depois fulminava a enfermeira com o olhar e mandava na lata: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Não se mente para uma criança. Se eu lhe disser que não vai doer e depois ela sentir dor... como é que vai confiar em mim de novo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Tenho pouquíssima tolerância à dor. Sou como a personagem de Michelle Pfeiffer em “As Bruxas de Eastwick”. Meu maior medo nessa vida é de sentir dor. E mesmo assim, já fiquei 18 horas em trabalho de parto, passei por duas cesarianas e fiz outras cirurgias ainda piores. Mas isso tudo porque sei que sempre vai existir um espécie de emplastro de vinagre com sal para me curar as feridas do corpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Mas e as feridas da alma? Com que tipo de emplastro a gente cura as feridas de dentro da gente? Tive um namorado que me ensinou que o coração é como um orgão perdido porque jamais se regenera. Cada amor que começa e termina, leva consigo um pedaço. Ele contou que seu coração já tinha levado três mordidas. E que eu ali, terminando nossa história, estava dando a quarta mordida. Sim, era eu que partia. Mas partia com o coração menor também, e por causa dele.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Nesses últimos dois anos tenho pensado muito de que forma posso amenizar a dor dos machucados que tenho feito tentando atravessar as cercas da vida. Mas não conheço nenhuma espécie de emplastro para as feridas da alma. Como se faz para cicatrizar uma mágoa, se ela só existe no centro de um peito imaginário? Dizem que o tempo é o melhor remédio. Não creio. Tempo não é curativo, é substantivo. Ele pode até apaziguar um sofrimento, mas não cura, não soluciona, não restabelece a saúde de um sentimento moribundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Outro dia aprendi com uma amiga que a cada mil lágrimas sai um milagre. Será que é na lágrima que mora a essência do meu emplastro existencial? Será que é no pranto que se desinfetam as lesões provocadas pelo desamor, pela raiva contida, pelo ciúme doentio, pela decepção velada, pelo ressentimento corrosivo, pela amargura do desencanto? Se for, que esse líquido salgado e sagrado me lave as entranhas sem ardor. E que eu possa ter coragem de continuar me aventurando a atravessar todas as cercas de arame farpado, até as mais perigosas e enferrujadas. Porque de chorar… bom… de chorar eu não tenho medo não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;i&gt;Para Gleice, que me ensinou o que é milágrima.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3183858630038348047?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3183858630038348047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/emplastro-de-vinagre-com-sal.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3183858630038348047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3183858630038348047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/emplastro-de-vinagre-com-sal.html' title='Emplastro de Vinagre com Sal'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-i93GqwrvnZw/TVYfwUumhSI/AAAAAAAAANQ/h9pX5HBwYlE/s72-c/florarame.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3280314947507949270</id><published>2011-02-07T14:46:00.003-04:00</published><updated>2011-02-07T14:54:11.469-04:00</updated><title type='text'>A Liquidez da Compreensão</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TVA9cHGOkFI/AAAAAAAAANA/V371jjJEklI/s1600/veia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TVA9cHGOkFI/AAAAAAAAANA/V371jjJEklI/s400/veia.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px;"&gt;Um dia fui numa mãe de santo que me disse assim:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;“Fia, suncê tem que escrever com humor.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Torci o nariz. Humor? Mas essa preta velha incorporada nessa moça bonita acha o quê hein? Que é todo dia que a gente tá para alegria? Só consigo escrever com humor ou quando eu tô muito inspirada ou quando meu estado de espírito acabou de chegar de férias do Caribe. Não é todo dia que a gente tá solar e vê o mundo colorido. Caramba, tem dias que saio da cama com uma lente cinza chumbo nos olhos que não há Cristo que me tire aquele ânimo gris da alma. Melancolia pura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Parecendo ler meus pensamentos, a preta puxou um tanto do cachimbo, soltou aquela fumaça cheirosa em cima de mim e falou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;“Num é esse humor que ocê tá pensando. Tô falano daquele humor, aqueles líquido que a gente tem no corpo e governa o coração. É com eles que suncê tem que escrevê.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Hã? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Demorei um tempão para processar aquela informação. Só quando cheguei em casa e fui procurar no dicionário a palavra humor, é que vi numa tacada só, todas as fichas da minha vida, caindo em cima de mim, como naquelas máquinas de cassino, quando te premiam 1000 mil dólares em moedas de um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Humor são todos os líquidos secretados pelo corpo e que determinam sua condição física, mental e emocional. Genial! Devia ter enchido aquela preta velha de beijo. Como é que eu não tinha entendido isso antes? Usar o humor como guia para o que escrevo, é nunca mais desperdiçar uma alegria ou tristeza sequer. É não me envergonhar da raiva, é grifar o amor, é permitir o negrito de tudo que vejo com as minhas lentes cinza chumbo. É entender que meu barco pode confiar na bússola que pulsa no meu sangue, porque é justamente lá nas minhas veias, que está o melhor e mais confiável oceano para navegar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Descobri com meu compadre Houaiss, que existem os humores oficiais: o sangue – aquele que faz a gente ferver de raiva ou de paixão, a fleuma que é causadora da apatia, a atrabílis ou bile negra que é responsável pelo último grau da raiva... a cólera, e a bile amarela, aquela que faz a gente ficar com o pior e mais nefasto mau humor!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Mas com a licença poética que me concedeu minha preta velha, depois daquele dia, comecei a pensar em todos os nossos líquidos - mesmo os que não estão catalogados no Houaiss - como outra forma sublime de entender a magnificência da natureza ao criar, por exemplo, a lágrima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Pode existir coisa mais poética do que uma lágrima? Aquele líquido límpido e salgado que verte de dentro da gente por dor ou emoção exagerada? Viviane Mosé já dizia que: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;um olhar de lágrimas cristalizadas é como um vidro de carro batido&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Suor acho meio nojento. Também é salgado e geralmente tem companhia de odores fortes de origens quase sempre duvidosas. A não ser o suor que vem do amor. Esse suor é santo. Dois corpos encharcados de suor podem ser considerados sagrados. Talvez porque se misturem aos líquidos do sexo: os fluidos vaginais e o sêmen. Nesses humores estão contidos todos os segredos da humanidade. Nossa origem, nossa semente, nossa evolução. Isso sem mencionar a saliva, o único humor que tem o poder de consagrar no beijo, a história de uma grande amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Entender os humores do meu corpo me fazem entender muito mais coisas do mundo. E principalmente desse pequeno planeta que habitamos. Se os humores da Terra forem como os humores humanos, dá para entender perfeitamente porque o planeta hoje chora mais... do que jamais choveu. Não dá? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Que a liquidez da compreensão possa a partir de hoje, expandir minha consciência. É por isso que vim, é por isso que escrevo, é por isso que vivo. Amém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3280314947507949270?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3280314947507949270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/liquidez-da-compreensao.html#comment-form' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3280314947507949270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3280314947507949270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/liquidez-da-compreensao.html' title='A Liquidez da Compreensão'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TVA9cHGOkFI/AAAAAAAAANA/V371jjJEklI/s72-c/veia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3493179200201826212</id><published>2011-02-05T09:23:00.000-04:00</published><updated>2011-02-05T09:23:00.407-04:00</updated><title type='text'>Mergulho no Abismo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/uQITWbAaDx0/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uQITWbAaDx0&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/uQITWbAaDx0&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3493179200201826212?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3493179200201826212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/mergulho-no-abismo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3493179200201826212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3493179200201826212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2011/02/mergulho-no-abismo.html' title='Mergulho no Abismo'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4401273458496406843</id><published>2010-11-24T09:00:00.000-04:00</published><updated>2010-11-24T09:00:31.160-04:00</updated><title type='text'>O Pentelho Voador</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TO0LerN1LtI/AAAAAAAAAMo/X-tZc8gOmFQ/s1600/mosquito.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TO0LerN1LtI/AAAAAAAAAMo/X-tZc8gOmFQ/s1600/mosquito.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Poucas coisas nessa vida me tiram do sério. Inseto é uma delas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Minha vida nova na casa nova é um paraíso. Apartamento térreo, predinho de quatro andares. O lugar é um sonho. Estou onde sempre sonhei estar. Num lugar tranquilo, silencioso, rodeada de árvores por todos os lados, convivendo com passarinhos, corujas, flores de todas as cores... e insetos. Muitos insetos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Tudo nessa vida tem um preço. E já tem um bocado de tempo que eu aprendi essa lição. Mas há alguns dias, quando completei um mês de vida na roça, tive meu primeiro surto psicótico no adorável condomínio de Bosques de Pendotiba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Tudo por causa de um microscópico mosquito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Gente, o que é um ser humano, adulto e inteligente, travar uma batalha de titãs com uma criatura ordinária como o mosquito? Foi uma cena patética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;No entardecer, é preciso fechar todas as janelas porque é no lusco-fusco, a hora em que os mosquitos procuram abrigo. Ok. Mas nossa... eu estava apaixonada pela brisa fresca que adentrava minha bucólica janela, iluminada pela lua cheia daquela noite. Pensava comigo no quão privilegiada era minha nova existência, ali deitada, no lugar mais calmo do planeta. Estava quase pegando no sono, quando ouvi o primeiro rasante da criatura no meu ouvido. Arrancada do momento mágico que antecede nosso primeiro soninho da noite, abri os olhos e pensei: “Cara, não acredito que tem um mosquito no quarto.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Silêncio. Voltei a olhar para lua e a pensar que no fundo, estava tudo bem. Mosquitos fazem parte desse lugar encantador. Então, vagarosamente fui deitando na cama de novo, pesando a cabeça no travesseiro macio, quase embarcando na jangada dos sonhos, quando... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Zzzziiuuummmmm&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Respirei fundo. Tentando me controlar, levantei devagar e fui fechar um pouco a janela. Voltei. Deitei. Outro rasante. Só que dessa vez do outro lado, no outro ouvido. Pronto. Agora eu tinha ficado irritada. Permaneci na cama imóvel e de olhos bem abertos, tentei adivinhar o próximo movimento do pentelho voador. Outro rasante. Foi quando eu dei um pulo da cama, acendi a luz e gritei para as paredes: “Cadê você seu desgraçado!”. Abri correndo o armário, peguei a raquete, liguei no ON e gritei de novo, para quem quisesse ouvir, provavelmente de olhos bem arregalados: “Agora eu quero ver você vir para cima de mim, seu mosquitinho de merda... vem! Vem que eu vou te fritar de uma vez só! ”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Louca. Louca. Louquinha de pedra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Foi quando começou a guerra. A ridícula guerra entre um gigante e um micróbio. Corri atrás dele uns bons segundos até conseguir, numa jogada de mestre, incinerar o pobre coitado. Um cheiro de defunto invadiu o ar. Olhei o corpinho da coisa pulverizada no chão. Uma meia perninha. Um pedaço da cabeça. Senti culpa. Não pelo mosquito, que tem vida curta mesmo e nem merecia viver depois de me atormentar tanto. Mas culpa pela dimensão do prazer sádico que me deu ver aquela morte. Olhei para raquete e pensei: isso aqui é uma arma carniceira. Um jeito bem esquisito da gente entrar em contato com a nossa sombra mais maquiavélica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Ainda bem que poucas coisas nessa vida me tiram do sério. Caramba.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4401273458496406843?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4401273458496406843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/11/o-pentelho-voador.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4401273458496406843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4401273458496406843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/11/o-pentelho-voador.html' title='O Pentelho Voador'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TO0LerN1LtI/AAAAAAAAAMo/X-tZc8gOmFQ/s72-c/mosquito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4378137051334841652</id><published>2010-09-30T00:43:00.007-03:00</published><updated>2010-10-02T01:23:08.745-03:00</updated><title type='text'>Pão querido de cada dia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TKayqoIOnhI/AAAAAAAAAMc/r0xFhNY2txg/s1600/P%C3%A3es.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TKayqoIOnhI/AAAAAAAAAMc/r0xFhNY2txg/s1600/P%C3%A3es.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Arte de Augusto Amato Neto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tem coisas que me ajudam a viver. Padaria é uma delas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tinha passado o dia todo de pé. Andando quilômetros da cozinha para sala, da sala para o quarto, do quarto para a cozinha. Estava exausta. Meio vesga. Mudança faz a gente ficar meio zureta. Me dei conta disso quando no meio da tarde, percebi que tinha parado tudo para fazer uma faxina na casa da Barbie. Isso porque já tinha vestido e penteado umas tantas bonecas antes. Me sensibilizaram as coitadas, nuas e descabeladas, espalhadas pela casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;No final do dia resolvi ir à padaria. Precisava sair um pouco. Ver a luz do dia que já estava de saída, respirar um pouco de gás carbônico da Miguel de Frias, sei lá. Ver gente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Entrei na padaria e dei aquela cafungada funda. Só faço isso quando tenho 100% de certeza de que o odor é confiável. Nas padarias, sempre é. Padaria tem cheiro de colo de mãe. Pãozinho misturado com bolo de fubá. Tem o burburinho dos apressados que estão voltando do trabalho, loucos para chegarem em casa para se livrar de seus sapatos apertados. Tem a risadinha das crianças, hipnotizadas pelos doces e picolés. Tem os solteiros na fila do frango. Tem as vovós tomando sopinha e vendo novela na televisão sem som.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Fui para fila do pão meio anestesiada. Uma dor no corpo. A cabeça bagunçada. A mente passando e repassando a lista de tudo que faltava empacotar. A moça perguntou quantos eu ia querer. Calculei rapidamente o lanche, a fome da madrugada e o café da manhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Quero seis, por favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Quando ela me devolveu o pão depois de pesar, percebi que a fornada tinha acabado de chegar. Eles estavam quentinhos! Sem pensar, abracei o pacote e ali mesmo fiquei de olhos fechados, atracada com aquele calor cheiroso e revigorante, sentindo sem querer, uma profunda felicidade. Parecia que aquele instante estava me devolvendo todo o equilíbrio que eu tinha perdido, toda a energia que tinha me esvaziado encher tantas caixas. Encostei os olhos no pacote, depois o rosto todo. Respirei fundo e só então percebi o quanto me sentia só. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Abri os olhos e dei de cara com a mocinha me olhando torto, meio sem graça pela cena de tão explícita paixão. Nem liguei. Fui para a fila do caixa, pagar satisfeita por aquele tesouro incalculável que eu tinha acabado de adquirir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tem coisas que me ajudam a viver. Amar é uma delas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;i&gt;Para Augusto Amato Neto,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;i&gt;meu amigo padeiro.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4378137051334841652?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4378137051334841652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/pao-querido-de-cada-dia.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4378137051334841652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4378137051334841652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/pao-querido-de-cada-dia.html' title='Pão querido de cada dia'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TKayqoIOnhI/AAAAAAAAAMc/r0xFhNY2txg/s72-c/P%C3%A3es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-6711330880400461128</id><published>2010-09-28T01:17:00.000-03:00</published><updated>2010-09-28T01:17:23.720-03:00</updated><title type='text'>"Lar é onde seu mel está."</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TKFVQT70NVI/AAAAAAAAAMU/_QQ9ZS32RzM/s1600/mudan%C3%A7a.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TKFVQT70NVI/AAAAAAAAAMU/_QQ9ZS32RzM/s320/mudan%C3%A7a.jpg" width="314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Sempre me senti uma moradora itinerante. Uma cigana nômade cosmopolita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Mudei dez vezes em oito anos, incluido três estados distintos, desde que saí da casa da minha mãe. E agora, acreditem, vou me mudar de novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Toda mudança é uma nova chance de transformação. Principalmente se a gente tem coragem de enfrentar o processo. Mas dessa vez estou com vontade de fazer diferente. Não sei. Ir mais fundo. Tentar mais do que uma mudança de endereço. Ir além de uma alteração física-espacial. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Quem sabe tentar a cura dessa minha eterna sensação de não-pertencimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Muitos astrólogos já me disseram que isso não é cisma minha. Que essa sensação está lá, na geometria esquisita dos meus astros. Uma sensação de inadequação somada à de não-pertencimento. Sinceramente, essa quadratura me faz sentir um ET. Deve ser por isso que não me sinto em casa em lugar nenhum. Porque eu simplesmente não sou daqui. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Há quantos anos eu tento preencher esse vazio que me abate. Há quantos apartamentos e CEPs que venho tentando me encontrar? Só agora consigo entender porque me mudo tanto: porque no fundo quero desesperadamente achar o meu lugar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Talvez o problema não esteja fora. Esteja dentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;É dentro de mim que a mudança precisa acontecer diferente. Na forma de encaixotar minha história. De me desfazer do que não cabe mais. Aprender a reciclar a vida sob a reveladora perspectiva do que tem e o que não tem sentido. Aprender o que me pesa tanto na mala. Organizar minha bagagem de modo a estar atenta ao que fica por fazer parte de uma nostalgia saudável e o que me faz ficar presa a um passado dolorido, como um carrapato viciadão em naftalina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;O que cabe e o que não cabe mais nessa nova eu? Isso é uma pergunta deliciosa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Sei bem onde habita minha alma, não vai ser tão difícil assim fazer a conexão de onde pode e deve habitar minha existência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Que essa nova mudança me traga muito mais do que um novo nome na conta da luz. Que ela represente a instalação de uma Light inteira no meu coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;P.S. A linda frase do título é do Ursinho Pooh, lembrada por Clara e Catarina quando comecei a encaixotar os brinquedos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-6711330880400461128?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/6711330880400461128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/lar-e-onde-seu-mel-esta.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6711330880400461128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6711330880400461128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/lar-e-onde-seu-mel-esta.html' title='&quot;Lar é onde seu mel está.&quot;'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TKFVQT70NVI/AAAAAAAAAMU/_QQ9ZS32RzM/s72-c/mudan%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-367083658844282014</id><published>2010-09-22T02:00:00.002-03:00</published><updated>2010-09-22T02:03:36.734-03:00</updated><title type='text'>A vida, como ela pode ser</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJmMflvEu0I/AAAAAAAAAMM/zkHtOJul-ho/s1600/marceau.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJmMflvEu0I/AAAAAAAAAMM/zkHtOJul-ho/s320/marceau.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 10px;"&gt;Marcel Marceau (1923 - 2007)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 10px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Vinha andando distraída pela rua, paquerando de longe a barraquinha de milho verde, quando dou de cara com um bando de mímicos, em plena Praça General Osório às seis horas da tarde. Eles pulavam de um lado para o outro, abordando as pessoas com um simples cartaz que dizia: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;ABRAÇOS GRÁTIS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;O pessoal que vinha na minha frente começou a resmungar. Uma senhora correu para atravessar a rua mesmo com o sinal aberto. Um homem com raiva deu meio volta e pegou a direção contrária do que ia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Eu abri logo um sorriso. Essa eu não podia perder. De longe, abri os braços para uma moça magrinha que tinha um sorriso gorducho. Ela de longe, fez o mesmo movimento que o meu. Quando nos encontramos, alí no meio da rua, nos abraçamos como se fossemos velhas conhecidas. Ficamos assim um tempão. Foi quando ela me disse baixinho no ouvido:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;- Ô minha filha, Deus te abençoe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;E eu pensei comigo: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Tá acabando de abençoar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-367083658844282014?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/367083658844282014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/vida-como-ela-pode-ser.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/367083658844282014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/367083658844282014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/vida-como-ela-pode-ser.html' title='A vida, como ela pode ser'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJmMflvEu0I/AAAAAAAAAMM/zkHtOJul-ho/s72-c/marceau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4766949435488611118</id><published>2010-09-22T01:23:00.001-03:00</published><updated>2010-09-22T02:09:28.366-03:00</updated><title type='text'>As Mínimas da Catarina</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Saio do banho, Catarina está sentada no banquinho, tagarelando sem parar. Dali a pouco, se cala e começa a olhar fixamente para o meio das minhas pernas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Mamãe, o que é isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Isso o que?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Sem entender direito, olho para baixo e vejo para onde seu dedinho está apontando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Isso aqui filha, é uma parte da pepeca. Chamam-se grandes lábios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Apavorada ela pergunta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- E isso morde?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4766949435488611118?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4766949435488611118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/as-minimas-da-catarina.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4766949435488611118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4766949435488611118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/as-minimas-da-catarina.html' title='As Mínimas da Catarina'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-120251822003293085</id><published>2010-09-20T22:28:00.001-03:00</published><updated>2010-09-20T22:38:44.317-03:00</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJgJ7rV1aEI/AAAAAAAAAL8/Ic_SVcqGXik/s1600/marta_oliveira_sao_jorge.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJgJ7rV1aEI/AAAAAAAAAL8/Ic_SVcqGXik/s320/marta_oliveira_sao_jorge.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;São Jorge&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Arte de Marta Oliveira&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 10px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 10px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;O primeiro movimento é como um pau duro. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Ele é livre e forte e carrega todos os símbolos da ação e da liberdade. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Sento para escrever e dos meus dedos frenéticos começo o bordado alucinado das minhas idéias. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;De repente, uma névoa baixa ao meu redor e eu desacelero o rítmo. As idéias começam a se dissipar. A primeira leitura me faz cortar uma, duas, três palavras. Daquela maravilhosa sensação de excitação, vejo surgir de dentro de mim mesma um fantasma censor, onde - pensando bem - onde eu estava com a cabeça em querer começar um texto dizendo que o primeiro movimento é como um pau duro?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Mas pau duro é símbolo do meu &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;animus&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;! Aquela coisa linda que o Jung criou para explicar os arquétipos que existem dentro da gente! A força masculina que habita dentro da mulher e faz com que ela se transforme numa potência energética para sair fazendo mil coisas por aí.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Peraí! Peraí! Pára tudo. Você tá se explicando?!&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Eu era muito pequena quando minha mãe me perguntou:&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;- Você quer saber o que é liberdade? É só olhar para um cavalo correndo. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Perdi a conta da quantidade de palavras que deletei nesses últimos anos aqui no meu laptop. O volume de idéias preciosas que joguei fora por achá-las, um pouco, digamos assim, inadequadas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Meu Deus do Céu, onde foi na trajetória da minha vida que eu deixei minha alma de égua puro sangue ser substituída por uma burrinha de carga que morre de medo do mundo e do que os outros pensam? Quando foi que esse fantasma que habita em mim se tornou mais forte do que a minha própria força criativa? &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Ao meu fantasma e aos censores anônimos, eu esbravejo:&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Vou construir um escudo para lutar contra vocês. Ele vai ser cravejado das minhas melhores e mais fortes palavras.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;E o primeiro texto vai ser sobre libido. Essa energia poderosa que faz com que todos os paus do mundo se ergam, todas os ventres se inflamem de paixão e criem, porque ela fala essencialmente do que somos feitos: energia primordial criativa. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Lembrei agora que não tenho pau. Mas tenho meu cavalo, um escudo poderoso e dez incríveis espadas cravadas nas minhas mãos. Tô me sentindo praticamente uma versão feminina de São Jorge.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;Quero ver quem vai me vencer agora.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-120251822003293085?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/120251822003293085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/liberdade.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/120251822003293085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/120251822003293085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJgJ7rV1aEI/AAAAAAAAAL8/Ic_SVcqGXik/s72-c/marta_oliveira_sao_jorge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-7555422859966632305</id><published>2010-09-20T03:06:00.001-03:00</published><updated>2010-09-20T11:07:01.627-03:00</updated><title type='text'>Bem-vinda Primavera!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJb5p7p1TgI/AAAAAAAAAL0/ZIzI5sNbhHE/s1600/borboletasazuis.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJb5p7p1TgI/AAAAAAAAAL0/ZIzI5sNbhHE/s1600/borboletasazuis.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt;"&gt;“NÃO &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt;"&gt;HAVERÁ &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt;"&gt;BORBOLETAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;SE A VIDA NÃO PASSAR&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;POR LONGAS E SILENCIOSAS METAMORFOSES”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Rubem Alves&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-7555422859966632305?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/7555422859966632305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/blog-post.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/7555422859966632305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/7555422859966632305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/blog-post.html' title='Bem-vinda Primavera!'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/TJb5p7p1TgI/AAAAAAAAAL0/ZIzI5sNbhHE/s72-c/borboletasazuis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5718451066452701918</id><published>2010-09-17T17:29:00.001-03:00</published><updated>2010-09-19T21:44:48.030-03:00</updated><title type='text'>As Máximas da Clara III</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px;"&gt;Hora de dormir. Quarto escurinho, beijos de boa noite, chamego.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Mãe, aqui entre nós duas, me explica uma coisa? Por que tem gente que chama o fiófis de cú? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Tive que me segurar para não soltar uma gargalhada e acordar Catarina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Ué, deve ser porque é uma palavra pequenininha e feinha, exatamente como ele é. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Dessa vez foi ela que gargalhou. Daquelas gargalhadas que ela dá e a veinha do pescoço pula de alegria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Eu sei que cú é palavrão, mãe... mas tem algum nome bonito para ele? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Humm... ânus. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Ânus é feio, mãe! Cú é mais simpático. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Eu sei minha filha. Mas cú é palavrão. A gente não deve falar. É uma tremenda falta de educação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Cú não parece palavrão. Parece palavrinha...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Fiquei sem fala. Ela estava coberta de razão. Foi dali que ela começou sua pesquisa linguística antropológica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Sei, e qual o nome feio de pepeca? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Vagina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Ah mãe, fala sério. Vagina é o nome técnico. Eu quero saber o palavrão mais horripilante... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Pensei um pouco. Não era justo mentir para ela naquela altura do campeonato. Ela tinha o direito de saber. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Tá. Buceta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Buceta? Mas buceta é bonitinho... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Clara, pelo amor de Deus minha filha, isso é um palavrão de quinta, não vai sair por aí falando isso e dizendo que fui eu que te ensinei que vão me chamar de louca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- E se eu chamar minha pepeca só de Ceta, tudo bem? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Não, não está nada bem. Todo mundo vai saber que é diminutivo de buceta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Hum. Então qual é o nome mais lindo para buceta? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Pepeca filha, pepeca é lindo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- E para peru? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Pinto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- E pau? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Pau nem pensar. É muito vulgar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Mas por que a gente pode chamar o peru de nome de bicho mas nome de madeira não pode? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;-  Clara, o mundo das palavras é um pouco complicado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Tudo bem mãe. Mas o que é grelo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;- Boa noite, Clara!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5718451066452701918?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5718451066452701918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/as-maximas-da-clara-iii.html#comment-form' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5718451066452701918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5718451066452701918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/09/as-maximas-da-clara-iii.html' title='As Máximas da Clara III'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-773264005562584324</id><published>2010-05-21T00:40:00.001-03:00</published><updated>2010-05-21T00:50:50.465-03:00</updated><title type='text'>BRONZE BLUSH</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S_YBnSGSRmI/AAAAAAAAALU/GAB8vWrgtyU/s1600/sol.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473564171500144226" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S_YBnSGSRmI/AAAAAAAAALU/GAB8vWrgtyU/s400/sol.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passo blush para esconder minha tristeza.&lt;br /&gt;Para fingir saúde, para fingir alegria, para fingir perfeição.&lt;br /&gt;Não passo blush só para sair.&lt;br /&gt;Passo blush todas as vezes que dou de cara comigo mesma no espelho de casa&lt;br /&gt;e levo um susto em como envelheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho amigos que ainda se impressionam por eu estar sempre coradinha.&lt;br /&gt;Outros que me chamam de boneca.&lt;br /&gt;Minha mãe me chama de velha coroca.&lt;br /&gt;Diz que faço dois círculos vermelhos nas bochecas &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;como faziam as damas francesas de antigamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não ligo.&lt;br /&gt;Não passo blush porque me incomoda a palidez.&lt;br /&gt;Passo blush porque no fundo no fundo&lt;br /&gt;o que eu queria era carregar o sol em mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-773264005562584324?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/773264005562584324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/05/bronze-blush.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/773264005562584324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/773264005562584324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/05/bronze-blush.html' title='BRONZE BLUSH'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S_YBnSGSRmI/AAAAAAAAALU/GAB8vWrgtyU/s72-c/sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-1545148508905852195</id><published>2010-05-21T00:37:00.000-03:00</published><updated>2010-05-21T00:49:00.184-03:00</updated><title type='text'>As Máximas da Clara II</title><content type='html'>Vinha da escola, cansada e emburrada, por não ter podido ficar até o final da apresentação de ginástica artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que você tá com mau humor de fome, filha.&lt;br /&gt;- Não mãe, tô com mau humor de situação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-1545148508905852195?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/1545148508905852195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/05/as-maximas-da-clara-ii.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1545148508905852195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/1545148508905852195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/05/as-maximas-da-clara-ii.html' title='As Máximas da Clara II'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5783752661920268832</id><published>2010-05-19T13:43:00.000-03:00</published><updated>2010-05-19T13:49:54.607-03:00</updated><title type='text'>O Feitiço de Carpinejar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S_QVpyYx-VI/AAAAAAAAALE/5XgAOpcCnw0/s1600/carpi.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 158px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473023254806526290" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S_QVpyYx-VI/AAAAAAAAALE/5XgAOpcCnw0/s400/carpi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo que dizem por aí é verdade: Carpinejar é feiticeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada estive em São paulo fazendo um curso de crônicas com ele.&lt;br /&gt;Fui lá especialmente para isso. Deixei duas filhas, um lar de pernas para o ar, uma empregada assoberbada, avós de plantão, um ex-marido sobrecarregado, dez saquinhos de lanche para escola prontos na despensa e uma leve impressão de que já ia tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos tinha descoberto o sujeito. Por engano e por sorte, acabei encontrando as crônicas dele na internet e um bocado de mim em cada uma delas. Fiz minha inscrição sem ter dinheiro, ganhei de presente a passagem de ônibus, consegui hospedagem na casa da minha avó e acabei descobrindo que todo meu empenho não se devia só à suposta competência do escritor, mas ao nome do curso: &lt;em&gt;Tanta Ternura&lt;/em&gt;. Que tipo de curso literário pode ter um nome desses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que eu andava desesperada de tanto entupimento criativo. Mas o que eu encontrei lá foi muito mais do que um feiticeiro. Encontrei um homem que tem o poder de esfregar as pessoas como quem esfrega uma lâmpada mágica e fazer surgir delas um gênio pronto para lhes conceder o mundo. Tudo é possível para Carpinejar. Sua cartilha é simples e letal. Não há nada no mundo mais poderoso do que a nossa capacidade de ser verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a partir dali que resolvi girar a chave e destravar a porta das minhas histórias invisíveis, do quartinho escuro onde moram as lembranças de tudo aquilo que vi e fingi que não vi. Esse é um passo importante para um cronista. Entender que ela serve não só para falar do miúdo, para elevar o insignificante, mas também para confessar o inconfessável, porque é só nessa ação que mora a reação que a gente espera do leitor: que ele se identifique com o que mora nos subterrâneos de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabrício ensinou para gente naquela semana que é preciso trabalhar com a dimensão das coisas. Buscar o essencial. Fugir do óbvio. Que todo sentimento tem sintoma. Que mentir é viver uma vida emprestada. E que devemos sempre pensar no avesso das coisas. Porque é lá que a gente se reconhece de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive insônia no ônibus na noite que voltei de São Paulo. Queria passar meu passado a limpo, escanear tudo que estava por ser dito na minha história. Carregar até o último pino toda a memória daqueles cinco dias que tinham me virado de ponta cabeça. E me revelado o caminho para um novo jeito de caminhar. Como que a gente pode sair de casa para fazer um curso de como escrever melhor e volta diplomado em audácia e coragem e pós-graduado no conceito da verdadeira liberdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém me tira da cabeça que o cara se liga em feitiçaria. Macumba braba feita com muita, muita ternura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5783752661920268832?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5783752661920268832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/05/o-feitico-de-carpinejar.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5783752661920268832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5783752661920268832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/05/o-feitico-de-carpinejar.html' title='O Feitiço de Carpinejar'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S_QVpyYx-VI/AAAAAAAAALE/5XgAOpcCnw0/s72-c/carpi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-632900173483022030</id><published>2010-04-24T16:11:00.000-03:00</published><updated>2010-04-24T16:47:13.560-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S9NFKwQcL4I/AAAAAAAAAK0/p-RG5eXJPxc/s1600/sangue.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463786823985409922" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S9NFKwQcL4I/AAAAAAAAAK0/p-RG5eXJPxc/s400/sangue.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho artérias entupidas.&lt;br /&gt;Falta de ar por cada palavra presa sufocada na garganta.&lt;br /&gt;Vontade de morrer um pouco, só um pouco...&lt;br /&gt;Tanta imagem por traduzir presa na retina da minha alma.&lt;br /&gt;Tanta emoção para fluidificar e não consigo.&lt;br /&gt;Me lembro daquela mãe de santo me mandar escrever com humor...&lt;br /&gt;Achei tanta graça ela me mandar fazer graça do que não tem a menor graça.&lt;br /&gt;Mas não era desse humor que ela falava...&lt;br /&gt;Era dos líquidos que me correm pelo corpo.&lt;br /&gt;Escutados, poderiam traduzir qualquer sentimento.&lt;br /&gt;Espionados, poderiam se transformar na minha voz.&lt;br /&gt;Mas de que adiantam humores se dentro de mim eles se misturam débeis e amorfos?&lt;br /&gt;Esse meu sangue só me afoga de um amor ridículo pela vida.&lt;br /&gt;E de vez em quando,&lt;br /&gt;ainda insiste em se misturar às minhas lágrimas achando mesmo que pode diluir minha dor.&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;Como se não me mostram caminho algum por palavra alguma?&lt;br /&gt;Não existe alívio sem no mínimo, a ilusão da compreensão.&lt;br /&gt;Se eu ao menos pudesse usar a força da minha bile verde de ódio!&lt;br /&gt;Usá-la para vomitar o que me comprime justo a boca do estômago.&lt;br /&gt;Essa boca calada, que engole o mundo e não digere nada.&lt;br /&gt;Absolutamente nada.&lt;br /&gt;Ou quem sabe tomar logo a bile mais negra, poção venenosa que o próprio corpo produz.&lt;br /&gt;Fosse para transmutar aquilo que não creio mais.&lt;br /&gt;Fosse para usufruir da liberdade que me dá pensar em morrer um pouco, só um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-632900173483022030?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/632900173483022030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/04/tenho-arterias-entupidas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/632900173483022030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/632900173483022030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/04/tenho-arterias-entupidas.html' title=''/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S9NFKwQcL4I/AAAAAAAAAK0/p-RG5eXJPxc/s72-c/sangue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-9123347624641220718</id><published>2010-01-26T00:24:00.000-04:00</published><updated>2010-01-26T00:29:59.702-04:00</updated><title type='text'>uma palavra para o haiti</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S15urPZPm4I/AAAAAAAAAKU/JCV1E1HgLpM/s1600-h/haiti.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 276px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430899889801239426" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S15urPZPm4I/AAAAAAAAAKU/JCV1E1HgLpM/s400/haiti.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;as palavras me cutucam. elas querem sair.&lt;br /&gt;estão presas dentro de mim e me pedem, a todo instante, que querem sair.&lt;br /&gt;eu não obedeço. eu não posso escrever se não sei o que sinto. minhas palavras são bocas que me traduzem. são sons que me guiam. não posso escrever se o que há dentro de mim é escuridão e silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me fecho da rua, me tranco do jornal, fujo das notícias.&lt;br /&gt;cuido das minhas crianças, cuido da casa e cuido principalmente em agradecer, o tempo inteiro, por tudo que tenho. essa palavra anda livre por aqui. hoje, antes de dormir, substitui as canções de ninar pelo &lt;em&gt;jogo do obrigada&lt;/em&gt;. Clara e Catarina agradeceram por coisas que nunca imaginaram agradecer. e a cada descoberta, a cada pequeno obrigada delas, eu me emocionei. é preciso agradecer o instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as palavras me cutucam. tento dormir, mas elas não deixam.&lt;br /&gt;sou obrigada a levantar e vir aqui, porque elas acham – sinceramente - que podem me ajudar. mas não sou eu quem precisa de ajuda, é o mundo. eu me sinto tão só e impotente. que palavra poderia traduzir tudo o que sinto quando penso na palavra haiti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há muito tempo tomei a decisão de me alienar das notícias diárias de violência do mundo. depois de uma crise de pânico, cheguei a conclusão que mais valia minha sanidade do que estar a par de todos os acontecimentos locais e mundiais. quem pode dar conta de tanto caos, desigualdade, impunidade? quem consegue em sã consciência ouvir, assimilar e dissolver dentro de si, todos os níveis de crueldade que o ser humano está sendo capaz de chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas o haiti... o haiti me faz pensar demais em Deus. como é que um povo que já era a retrato em preto e branco da desgraça humana tem que passar por isso? que leis são essas que massacram tão profundamente um povo? a violência todo mundo sabe que é o resultado da nossa impotência e ignorância em governar, dividir e amar. mas e uma desgraça natural como essa? que explicação Deus pode nos dar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não sou beata, mas tenho uma relação muito próxima com Deus. e mesmo na sutileza espiritual da minha crença, eu não tenho conseguido ouvir a voz Dele me explicando nada. pelo menos nada que me acalme o coração. a única coisa que tem me servido de alento, é ver a impressionate mobilização do mundo em doações e a emocionante jornada de milhões de médicos e voluntários em prol de uma única causa: a de levar ajuda e amor a quem perdeu tudo. se eu pudesse, juro por mim, estaria entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se as palavras me cutucam essa noite, que eu possa ao menos vibrar a única que conheço que me move e que pode mover o universo nesse instante desesperado: esperança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;fecho os olhos e mando através do meu coração a esperança de superação, compreensão e aceitação do absurdo que é a vida. e essas estranhas e inconcebíveis leis de Deus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-9123347624641220718?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/9123347624641220718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/01/uma-palavra-para-o-haiti.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/9123347624641220718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/9123347624641220718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/01/uma-palavra-para-o-haiti.html' title='uma palavra para o haiti'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S15urPZPm4I/AAAAAAAAAKU/JCV1E1HgLpM/s72-c/haiti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-6793895364436275543</id><published>2010-01-21T12:32:00.000-04:00</published><updated>2010-01-21T12:48:30.702-04:00</updated><title type='text'>A caminho de uma nova jornada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S1iB6RTM_lI/AAAAAAAAAKM/tEPvwJDG_4Q/s1600-h/bike.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 196px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5429232188871474770" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S1iB6RTM_lI/AAAAAAAAAKM/tEPvwJDG_4Q/s400/bike.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amigos queridos&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No desejo profundo de expandir minhas idéias&lt;/div&gt;&lt;div&gt;estou agora mergulhando fundo... com toda a coragem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no estranho mundo da Internet.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso estou de novo no Facebook - em busca dos amigos perdidos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No Twitter - treinando escrever em 140 caracteres&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e agora com dois blogs diferentes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;sempre tentando descobrir onde habita minha alma!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e no Caderno Essencial (&lt;a href="http://cadernoessencial.blogspot.com/"&gt;http://cadernoessencial.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;trabalhando a divulgação do meu primeiro livro &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;ONDE HABITA MINHA ALMA - O CADERNO ESSENCIAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No fundo, no fundo, tudo fala sobre a mesma coisa...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;isto é, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;minha busca frenética de entender o que vim fazer aqui!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;GALERA,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;QUEM PUDER ME AJUDAR NA DIVULGAÇÃO, EU AGRADEÇO!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com amor,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tatiana Telink&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-6793895364436275543?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/6793895364436275543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/01/caminho-de-uma-nova-jornada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6793895364436275543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6793895364436275543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2010/01/caminho-de-uma-nova-jornada.html' title='A caminho de uma nova jornada'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/S1iB6RTM_lI/AAAAAAAAAKM/tEPvwJDG_4Q/s72-c/bike.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-2001894759175790649</id><published>2009-11-27T23:42:00.001-04:00</published><updated>2009-11-28T00:01:10.504-04:00</updated><title type='text'>Minha menina do arco-íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SxCeZA3rUbI/AAAAAAAAAJY/Na5govAoCfU/s1600/some.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408997305039409586" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SxCeZA3rUbI/AAAAAAAAAJY/Na5govAoCfU/s400/some.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SxCdLmVhyJI/AAAAAAAAAJQ/T9ttM5h6BgY/s1600/meninaarco.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha pequena acordou triste hoje.&lt;br /&gt;Tomou café e ficou quietinha num canto da casa, sem sorrir, sem fazer bagunça, com o olhar perdido em algum lugar. Perguntei uma, duas, outras tantas vezes o que tinha acontecido para ela ficar tão triste. Ela não sabia responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmarquei todos os meus compromissos. Disse para ela:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hoje você vai passar o dia comigo, mocinha.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ela levantou os olhinhos e sorriu. Um sorrisinho mixuruca, mas sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos ao cinema, comprei pipoca gigante, balinha, chocolate. Depois saímos de lá e ela se queixou de dor na barriga. A levei de cavalinho pelo shopping até uma sorveteria. Como eu imaginava - ela estava com dor - mas não tanta dor a ponto de negar um sundae.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mamãe, quero ir para casa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Fomos. Chegando ela se deitou na cama e continuou quieta. Comecei a ficar realmente preocupada. Tirei do coração uma última cartada para tentar alegrá-la.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já sei filha, vamos desenhar...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Peguei um monte de papel, lápis de cor, pilot, meu super bloco de papel canson, e sim... meu adorável estojo de giz de cera pastel que ela adora. Sentamos juntas e começamos a desenhar. Em silêncio. Eu tinha certeza de que alguma coisa ia acontecer ali. Ou ela ia se abrir comigo ou os próprios desenhos iam me dizer alguma coisa sobre o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devagarinho, ela foi puxando papo. Gostava mais de falar mal dos meus desenhos do que de prestar atenção nos dela. Começou a rir das coisas horrendas que eu desenhava. Até que disse baixinho: &lt;em&gt;Mami, desenha um arco-íris vai... é o que você faz de melhor...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Obedeci imediatamente. Peguei as cores no giz pastel, separei uma folha em branco e reparei que ela fez o mesmo. Então juntas começamos a desenhar, cada uma, o seu arco-íris. Óbvio que eu não aguentei e comecei a cantarolar &lt;em&gt;somewhere over the rainbow&lt;/em&gt;... e ela comigo... até que me deu uma coisa e eu disse: &lt;em&gt;Quer saber? Vamos fazer esse arco-íris nas nossas paredes filha! Você no seu quarto e eu no meu.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foi então que a mágica aconteceu.&lt;br /&gt;Coloquei para tocar bem alto a música para que as duas ouvissem, cada uma em seu espaço. Ela lá projetava fervorosamente suas cores. E eu, cá no meu canto, pintava o meu arco-íris assistindo emocionada o que acontecia com ela. Minha pequena foi se transformando em luz em cada cor que pintava na parede. Do roxo para o vermelho, uma risadinha. Do vermelho para o laranja um grito: &lt;em&gt;como é que tá indo aí?&lt;/em&gt; Do laranja para o amarelo ela veio correndo e me deu um beijo. &lt;em&gt;O seu tá tá lindo, mãe! &lt;/em&gt;Do amarelo para o verde... uma gargalhada... &lt;em&gt;a gente tá ficando toda colorida filha...&lt;/em&gt; do verde para o azul, ouvi ela assobiar no quarto. Cheguei devagarinho e a vi, parada em frente à sua majestosa obra de arte, de olhos brilhantes e a alminha lavada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando ela me viu na porta, correu pra me abraçar e disse:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mãezinha, põe a música de novo... vamos dançar?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-2001894759175790649?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/2001894759175790649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/11/minha-menina-do-arco-iris.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2001894759175790649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2001894759175790649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/11/minha-menina-do-arco-iris.html' title='Minha menina do arco-íris'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SxCeZA3rUbI/AAAAAAAAAJY/Na5govAoCfU/s72-c/some.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3297807681049908630</id><published>2009-11-15T21:50:00.000-04:00</published><updated>2009-11-15T22:17:17.985-04:00</updated><title type='text'>As Máximas da Clara</title><content type='html'>Estávamos no táxi, voltando da escola.&lt;br /&gt;Cantando como sempre, para passar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos cantar aquela da Noviça Rebelde mãe... Do, re, mi...&lt;br /&gt;- Ah tá bem.&lt;br /&gt;- Vai.&lt;br /&gt;- Vai o que?&lt;br /&gt;- Começa aquela parte Do, a deer a female dear...&lt;br /&gt;- Ah tá.&lt;br /&gt;- Do, a deer a female deer, Re, a drop of golden sun…&lt;br /&gt;- Não mãe, você fica no dooo... enquanto eu canto a letra.&lt;br /&gt;- Ah tá... doooooo… a deer a female deer…&lt;br /&gt;- Não mãe!&lt;br /&gt;- Mas você tá demorando para entrar.&lt;br /&gt;- Presta atenção mãe, você canta as sílabas da cantura, eu canto a letra.&lt;br /&gt;- Como é que é minha filha? Você quer dizer as notas musicais?&lt;br /&gt;- É ué, as sílabas da cantura!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3297807681049908630?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3297807681049908630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/11/as-maximas-da-clara.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3297807681049908630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3297807681049908630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/11/as-maximas-da-clara.html' title='As Máximas da Clara'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3295042073135769775</id><published>2009-11-03T01:36:00.000-04:00</published><updated>2009-11-03T01:41:01.344-04:00</updated><title type='text'>SER OU NÃO SER: a questão essencial</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Su_B6SVhbXI/AAAAAAAAAIQ/8TJl9gmygk8/s1600-h/sombra.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 319px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399747685339196786" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Su_B6SVhbXI/AAAAAAAAAIQ/8TJl9gmygk8/s400/sombra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Su_BvtUV-yI/AAAAAAAAAII/MW9prMV6V9U/s1600-h/sombra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho um amigo que diz que eu devia deixar de lado as crônicas e mergulhar mais fundo no universo da ficção. Que eu poderia dar voz a muitos personagens, que através deles eu poderia ser, existir e sentir tudo que quisesse com uma tremenda liberdade e que essa coisa que recorrer demais às próprias experiências no fundo no fundo, é uma atitude um pouco egocêntrica e infantil. Principalmente quando se faz tanta referência, como eu, à própria infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tal amigo é uma pessoa a quem amo e respeito profundamente, por isso que tais palavras me fizeram refletir um bocado sobre o assunto. A ficção, como forma de expressão literária,  é uma coisa distante de mim. Apesar de estar em constante processo criativo, ainda não consigo pensar em fazer tal alquimia de transformar o que sinto, para um outro alguém sentir, mesmo que esse outro alguém seja eu. Esse ato requer coragem e ousadia. Furar essa dimensão é um caminho sem volta. No mais, o que escrevo me sai como inflamação. Gosto que essa dor me pertença. Só assim vejo a possibilidade de transformá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve uma vez - uma única vez - que o que eu sentia era tão forte e tão secreto, que eu inventei uma Tereza para passar por tudo aquilo. Me soou tão falso. Tava na cara que aquela mulher era eu, muito mal disfarçada de mim. Sei lá. Eu ainda não consigo achar visceral essa necessidade de inventar personagens. Tanta coisa ainda para sair da minha carteira de identidade. Minha construção ainda é involuntária. As idéias me saem como um jorro de pensamento. Quanto menos apurado, mais funciona. Meus textos são uma busca desesperada por sentido. De que vale nesse momento nomeá-los, se o que busco de verdade é olhar para dentro da minha alma e ver o que há refletido nela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse assunto me interessa tanto que outro dia tive um sonho com uma mulher, uma cega. Acordei, olhei para a noite que ainda não tinha virado dia e falei: Janete. O nome dessa mulher é Janete. Isso só podia ser o embrião de um primeiro personagem! Mas vamos combinar que no quesito sonhos, sou praticamente uma Akira Kurosawa. Se tivesse escrito tudo que já sonhei, provavelmente já teria um livro de ficção publicado. Todos tem início, meio e fim. E os ingredientes básicos de um best seller de sucesso: aventura, intriga, paixão, violência, sexo, muito sexo. Meus filmes, opa, quero dizer, meus sonhos, tem cenas eróticas de colocar Almodovar no chinelinho. Uma delícia. Achei uma forma extraordinária de realizar fantasias! Isso é que ter um inconsciente amigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma coleção enorme de crônicas: Rubem Braga, Fernando Sabino, Rubem Alves, Carlos Drummond de Andrade. Quase todos os escritores que escreveram crônicas, tiveram a mesma urgência que eu tenho. Traduzir com precisão poética o que lhes transbordava dos olhos, fosse por determinada imagem ou um acontecimento qualquer no cotidiano. E engraçado, por mais infantil que pareça, acho natural que todos recorram sempre às suas próprias infâncias... só pode. É lá que mora o material bruto desse olhar, foi lá que a gente viu melhor o mundo, com mais clareza. Vejo isso hoje através dos olhos das minhas filhas. A simplicidade com que elas vêm as coisas é brutal. Nada mais coerente para um cronista mergulhar na própria infância. Só de lá pudemos trazer a referência autêntica do que somos. Pelo menos, do melhor que fomos. Porque se a idade adulta nos traz amadurecimento, ela também nos traz um abrutamento de lascar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dizia Che Guevara&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi um personagem da nossa história, um personagem de carne e osso.&lt;br /&gt;Acho que preciso dizer isso ao meu amigo... que o que eu quero é ser um personagem de verdade, de carne, osso, voz e alma. E que essa voz possa transformar o mundo de alguma forma. Mas que ela saia da minha boca, na verdade que diz meu coração. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3295042073135769775?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3295042073135769775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/11/ser-ou-nao-ser-questao-essencial.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3295042073135769775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3295042073135769775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/11/ser-ou-nao-ser-questao-essencial.html' title='SER OU NÃO SER: a questão essencial'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Su_B6SVhbXI/AAAAAAAAAIQ/8TJl9gmygk8/s72-c/sombra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3704103956528569675</id><published>2009-10-27T00:48:00.000-03:00</published><updated>2009-10-27T17:08:57.926-03:00</updated><title type='text'>Complexo de Lavadeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desde que me entendo por gente, tenho uma enorme dificuldade de compreender a superficialidade das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na infância, minha mãe sempre conta a mesma história: eu pedia para ela colocar na vitrola a flauta do Zamfir ou músicas italianas. Depois de alguns minutos, aos prantos, eu pedia que &lt;em&gt;peloamordedeus&lt;/em&gt; ela tirasse aquilo, que eu não agüentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois veio a adolescência, aquela fase da vida que por si só já é um emaranhado de contradições e a inadequação é quase condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; na existência do ser humano. Mas o que mais me fazia sofrer era a dificuldade de entender o que as pessoas falavam, já que elas falavam falavam e não diziam nada - pelo menos ninguém da minha idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu me refugiei no cinema na tentativa de traduzir melhor a vida. Foi com 13 anos que, vestida de boina, óculos e salto alto, eu furei a censura de 18 e assisti extasiada &lt;em&gt;Metropolis&lt;/em&gt; do Fritz Lang. Depois vieram muitos outros que me levaram a um lugar profundo dentro de mim. E mesmo sem ter idéia do que tudo aquilo significava, hoje eu percebo que aqueles lugares que eu acessei – tão nova e virgem de alma – fizeram de mim o que eu sou hoje. No dia em que saí de &lt;em&gt;Koyaanisqatsi&lt;/em&gt; – documentário que mesclava imagens da natureza à cenas de destruição da Terra, ao som de Philip Glass – muda e em choque, tive a impressão de que alguma coisa tinha explodido dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi muito tempo depois, quando assisti &lt;em&gt;Janelas da Alma&lt;/em&gt;, que entendi o que tinha acontecido comigo na época. No depoimento do Win Wenders ele diz que aprendeu com a esposa a não permitir que determinadas imagens entrassem dentro dele. Eu também sou assim. É por isso que não assisto filmes de terror e de violência, porque eu sei que essas imagens podem colar no meu cérebro como um superbonder radioativo e que ficarão comigo para sempre, eu gostando ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pensando nessa minha trajetória de mergulhadora que outro dia um conceito – soprado despretensiosamente no meu ouvido por uma amiga muito querida – me fez entender toda a minha dificuldade com quem insiste em ficar boiando na &lt;em&gt;nata&lt;/em&gt; da vida. Ela dizia que não tinha muito jeito, que a grande maioria das pessoas só vivia mesmo para &lt;em&gt;ensaboar&lt;/em&gt;. Mas o que é que acontece? Por que que esse Complexo de Lavadeira se instalou entre as pessoas, como se fosse o único programa mental compatível com a nossa mente contemporânea? Tudo fica no raso, meu Deus. Na mediocridade da superfície. Até nas artes isso tem se refletido. Na música, na literatura. E o teatro? O vazio no teatro é desesperador. Desde que me propus a entrar de cabeça de volta neste universo, tenho assitido a tudo - sem preconceito. Mas tem sido um programinha barra pesada. Dos espetáculos, pouquíssimos são peças de teatro. A grande maioria é uma comédia para lá de comercial, que aborda os assuntos sem a menor preocupação em se aprofundar ou pior, sem a menor intenção de dar ao público - uma migalhinha que seja – de possibilidade de reflexão. Assim foi a última que vi. No teatro – lotado – todo mundo gargalhava e eu tinha vontade de chorar. Me sentia um peixe fora d’água, naquele marzão de gente feliz. Mas do que é que aquela gente ria tanto? Da desgraça alheia? Da própria cegueira? Do nada? Tá, tinha até uma ou outra coisa com que eu me identificava, mas não era engraçado. Era patético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, eu não tenho nada contra o humor. Acho maravilhosa essa possibilidade que a gente tem de rir das próprias desgraças. Só levanto essa questão porque isso me pinica as entranhas. O mundo tá ficando insuportável nessa versão &lt;em&gt;twitter&lt;/em&gt; de ser. Tudo bem rasinho e rapidinho. Como se olhar para a vida de uma forma mais adulta - mais consciente - fosse deixar tudo insuportavelmente chato e pesado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu mesma tenho amigos que dizem: &lt;em&gt;Ah Tati, vê lá hein? Vê se coloca humor nessa sua peça que ninguém tá a fim de pensar demais num sábado a noite. Você tem cara de quem vai escrever uma peça-cabeça. Vai ficar sem público!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Prefiro ter dez pessoas na minha platéia dispostas a pensar do que cem babando de rir. Já falei disso mas vou repetir: o dia que o David Linch me ensinou essa frase, nunca mais fui a mesma. “Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas profundas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero da vida o abismo, mesmo que isso me custe a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3704103956528569675?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3704103956528569675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/complexo-de-lavadeira_26.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3704103956528569675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3704103956528569675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/complexo-de-lavadeira_26.html' title='Complexo de Lavadeira'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-491802529208392247</id><published>2009-10-26T23:09:00.000-03:00</published><updated>2009-10-27T17:13:18.586-03:00</updated><title type='text'>Do livro ASCESE, de Nikos Kazantzákis</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuZtN23MYdI/AAAAAAAAAIA/yADEfZTsyck/s1600-h/abismo.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 224px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397121288282857938" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuZtN23MYdI/AAAAAAAAAIA/yADEfZTsyck/s400/abismo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Por uma só coisa anseio: apreender o que se esconde atrás dos fenômenos; desvendar o mistério que me dá a vida e a morte; saber se uma presença invisível e imóvel se esconde além do fluxo visível e incessante do mundo.&lt;br /&gt;Se não cabe à mente tentar a heróica e desesperada saída para fora dos limites, oxalá o pudesse meu coração!&lt;br /&gt;Mais além! Mais além! Mais além! Mais além do homem, busco o açoite invisível que o fustiga e incita à luta. Mais além dos animais, espreito o rosto primevo que, criando, quebrando e refundindo as máscaras inumeráveis, procura imprimir sua marca na carne transitória. Mais além das plantas, me esforço por distinguir na lama os primeiros passos inseguros do Invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço uma ordem dentro de mim:&lt;br /&gt;- Cava! Que vês?&lt;br /&gt;- Homens e aves, águas e pedras.&lt;br /&gt;- Cava mais! Que vês?&lt;br /&gt;- Idéias e sonhos, relâmpagos e fantasmas.&lt;br /&gt;- Cava ainda mais! Que vês?&lt;br /&gt;- Não vejo coisa alguma! Só a Noite, muda e espessa como a morte. Deve ser a morte.&lt;br /&gt;- Cava, cava!&lt;br /&gt;- Ai, não posso atravessar a muralha negra! Ouço vozes e prantos, ouço bater de asas do outro lado!&lt;br /&gt;- Não chores! Não chores! Não é do outro lado! As vozes, os prantos e o bater de asas são o teu coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ponta dos pés, vou além da mente e chego trêmulo ao sagrado abismo do coração. Um dos pés se apóia no chão firme, o outro tateia as trevas do abismo.&lt;br /&gt;Suspeito que atrás de todas as aparências há uma essência em luta. Quero unir-me a ela.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-491802529208392247?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/491802529208392247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/complexo-de-lavadeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/491802529208392247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/491802529208392247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/complexo-de-lavadeira.html' title='Do livro ASCESE, de Nikos Kazantzákis'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuZtN23MYdI/AAAAAAAAAIA/yADEfZTsyck/s72-c/abismo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-6668624785101425369</id><published>2009-10-23T01:37:00.000-03:00</published><updated>2009-10-23T01:41:21.893-03:00</updated><title type='text'>Crônica de uma Andorinha Assustada</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuEzOxhIEuI/AAAAAAAAAH4/_fp-hMScvBk/s1600-h/nuvem.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395650157470028514" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuEzOxhIEuI/AAAAAAAAAH4/_fp-hMScvBk/s400/nuvem.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Atenção tripulação, preparar para a decolagem.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já perdi a conta de quantas vezes, prestes a decolar num avião, eu me agarrei a um guardanapo e a uma caneta, para escrever e aproveitar ao máximo o pânico medonho que me causa a idéia de voar - sem ter asas. Essencialmente, sempre me senti como uma andorinha - alma dessas que precisa de liberdade para ir e vir pelo céu. Mas quando entro num avião, essa metáfora cai por terra e a iminência da morte me assalta como uma idéia mórbida e sem graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre foi assim. Viajei durante toda a minha juventude para encontrar meu pai nas férias de verão naquele Bandeirante, aventuresco e pequenino avião, que já na época caia no Brasil feito jaca podre. Meu pai morava em Vitória, no Espírito Santo. E eu, sempre no Rio de Janeiro, aguardava aquele vôo com toda a alegria, afinal, era a chance dourada de estar com ele por longos trinta dias ininterruptos. Mas foi num vôo que fiz de Dallas para Washington, com 24 anos, que essa satisfação em voar se transformou num medo desesperado, quando peguei no ar uma &lt;em&gt;thunderstorm&lt;/em&gt; que quase me tirou a vida, literalmente. Na época - me lembro bem - tive que fazer um pouso forçado na Virginia até que a tempestade de raios se dissipasse. E nunca mais fui a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só hoje, a caminho de Joinville, numa viagem rápida para rever amigos queridos e dar uma fugidinha da realidade, é que eu consegui entender onde é que esse medo me bate tão fundo. Ao entrar no Boeing 737 da Gol, fazendo questão absoluta de entrar com o pé direito dentro do avião - mesmo sem ser um pinguinho supersticiosa - é que eu entendi que o meu problema tem a ver com o controle ilusório que tenho da vida. Gente, no fundo no fundo, a gente “acha” mesmo que no dia-a-dia tem controle sobre tudo. Sobre a vida, os acontecimentos, sobre o nosso destino. Mas não tem! Definitivamente não tem. Quando se entra num avião, esse é o primeiro soco no estômago que a gente recebe da consciência. Se você não sabe pilotar a geringonça, o que mais pode fazer quando senta e afivela o cinto de segurança? Nada! Só confiar totalmente na competência do piloto. Talvez ter sangue frio em caso de despressurização da cabine, onde máscaras de oxigênio cairão automaticamente de algum lugar e você ainda precisa lembrar de ajudar uma criança ou velhinho, se algum dos dois estiver sentado ao seu lado. E só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou uma pessoa religiosa. Talvez espiritualizada. Mas na hora em que a coisa vai voar, me entrego a Deus de uma forma tão plena que juro, isso é uma coisa que realmente me faz pensar. Meu Deus! Que ilusão é essa que me faz crer que atravessar a rua pode ser mais seguro que andar neste avião?  Não se controla a morte, como não se controla a vida, como não se controla absolutamente nada. A gente pode até tentar ter a ilusão egocêntrica de ter as rédeas da vida em nossas mãos, mas não tem. Basta a primeira turbulência para nos lembrar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conexão em Congonhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai tomar banho! Duvido que até meu pai, que é o viajante de avião mais corajoso do mundo, não tenha medo - um suspirinho que seja - desta pistinha microscópica que se pousa em São Paulo. Quem não se lembra de um dos acidentes mais bizarros da aviação brasileira, onde a tal pista foi pequena demais para o carma coletivo de mais de 175 pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para tudo na vida deve haver uma compensação. Para mim, duas coisas me aliviam o sofrimento de voar: o lanchinho a bordo, e as nuvens. Claro que já foi-se o tempo em que o serviço de bordo era top e a gente comia feito Rei e Rainha. Na época em que só existia Varig, Vasp e Cruzeiro a comida era de primeira. Você escolhia se queria massa, frango ou carne. E o talher era de verdade. Eles esquentavam a comidinha à bordo e você degustava aquilo com um bom vinho, com direito a sobremesa depois. Nada desses bolinhos ou amendoinzinhos com guaraná de hoje em dia. Me lembro também que das viagens internacionais meu pai trazia o kit completo de higiene que eu gostava mais do que qualquer presente: uma necessaire com pentinho, escovinha de dente e pasta mini, tudo com nome da empresa aérea. Sim! E o lencinho perfumado, numa época que não existia lenço umedecido para limpar bumbum de neném! Épocas douradas da aviação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aquele tempo a Voz do Galeão já existia com seu timbre inconfundível. Quem não lembra daquela moça falando - &lt;em&gt;Fly Seven Four Seven to Mi-a-mi. Boarding now – Gate Six…&lt;/em&gt; Gente, essa voz continua a mesma depois de 20 anos! Será que ela gravou todas as possibilidades de vôo e morreu, ou continua trabalhando lá como funcionária padrão do Aeroporto Antonio Carlos Jobim com oitenta anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo não passa para gente no coração. Não há uma só vez que eu vá ao Galeão e não embarque sem antes lembrar da minha mãe – fofa – cantando o jingle da Vasp para alegrar a gente, antes das férias. Quem lembra disso?&lt;br /&gt;(essa é para você minha irmã!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=__1UJ5CBp10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de tudo, de todo o sentimento, do medo, da angústia - o que fica para mim é sempre essa alegria simples que me dá ter a chance de estar tão perto das nuvens. Nada pode ser mais lúdico do que a ilusão de poder tocá-las. Já dizia meu querido Quintana que “a única coisa eterna são as nuvens”. Eu mergulho nelas e penso: mesmo que eu tenha que envelhecer alguns anos a cada vôo percorrido, mesmo que eu sempre me sinta uma andorinha assustada, eu insisto em voar, mergulhar, vencer qualquer medo... porque isso me renova o espírito, me traz de volta o que eu sou e à minha profunda crença na vida... de que a vida é sonho, só pode ser. Se não fosse, Deus não faria tantas bolinhas de algodão e as espalharia pelo céu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-6668624785101425369?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/6668624785101425369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/cronica-de-uma-andorinha-assustada.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6668624785101425369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6668624785101425369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/cronica-de-uma-andorinha-assustada.html' title='Crônica de uma Andorinha Assustada'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuEzOxhIEuI/AAAAAAAAAH4/_fp-hMScvBk/s72-c/nuvem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-2151812951318086830</id><published>2009-10-22T23:15:00.000-03:00</published><updated>2009-10-22T23:21:38.768-03:00</updated><title type='text'>Tem dias que eu fico assim</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuES4KQOlYI/AAAAAAAAAHw/rIvjXj8NeeQ/s1600-h/copovinho.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 280px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395614584600958338" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuES4KQOlYI/AAAAAAAAAHw/rIvjXj8NeeQ/s400/copovinho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem dias que eu fico assim&lt;br /&gt;Precisando muito beber, me entorpecer&lt;br /&gt;Abro uma garrafa de vinho e ele me encharca ainda mais os quereres&lt;br /&gt;Como compulsivamente&lt;br /&gt;Azeitonas, pepinos, amendoins&lt;br /&gt;Pãozinho com queijo e alcaparras&lt;br /&gt;É, tem dias que eu fico assim&lt;br /&gt;Só me aquieto um pouco depois de colocar&lt;br /&gt;Uma colher de sopa de mostarda escura numa torradinha qualquer&lt;br /&gt;Tudo o que vem lá de dentro&lt;br /&gt;É uma ânsia, uma sede&lt;br /&gt;De sabor, de picância&lt;br /&gt;Opa! Essa palavra aí não tem no Houaiss&lt;br /&gt;Sede de picância foi inventado por mim&lt;br /&gt;Mas tem tudo a ver com o meu dizer&lt;br /&gt;Tem dias que eu fico assim&lt;br /&gt;Febril, sedenta, faminta&lt;br /&gt;Não sei o que me dá, mas dá&lt;br /&gt;Uma coisa subcutânea, sublingual, subliminar&lt;br /&gt;A noite quieta só me aguça o desejo de expressar&lt;br /&gt;Escrevo, escrevo, mais não adianta nada&lt;br /&gt;Acendo um cigarro, trago bem fundo&lt;br /&gt;Fico tonta e a coisa não passa&lt;br /&gt;Nem o sabor, nem o labor faz passar essa escassez&lt;br /&gt;Nada parece poder fazer passar o que lateja aqui dentro de mim&lt;br /&gt;Porque eu não sei o que é&lt;br /&gt;Se soubesse, engolia com vinho ou devorava feito canapé&lt;br /&gt;Mas não é&lt;br /&gt;Tem dias que eu fico assim&lt;br /&gt;Talvez seja essa escola de samba que precisa desfilar&lt;br /&gt;Talvez seja aquela música que fez chorar&lt;br /&gt;Ou talvez seja a vida,&lt;br /&gt;que só precisa&lt;br /&gt;simplesmente&lt;br /&gt;acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-2151812951318086830?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/2151812951318086830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/tem-dias-que-eu-fico-assim-precisando.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2151812951318086830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2151812951318086830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/10/tem-dias-que-eu-fico-assim-precisando.html' title='Tem dias que eu fico assim'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SuES4KQOlYI/AAAAAAAAAHw/rIvjXj8NeeQ/s72-c/copovinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5361511135000297899</id><published>2009-09-22T02:16:00.000-03:00</published><updated>2009-09-22T03:36:05.110-03:00</updated><title type='text'>O ungüento das canções de ninar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SrhvrNrIvfI/AAAAAAAAAHg/W8Cu3eXTt-c/s1600-h/teddysentado.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384176142717074930" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SrhvrNrIvfI/AAAAAAAAAHg/W8Cu3eXTt-c/s400/teddysentado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguma coisa aconteceu ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem noites que eu me sinto muito sozinha. O dia vai bem. A manhã passa depressa e a tarde sempre me traz de presente algumas horas livres para escrever. E o dia tem o sol que acaba iluminando as minhas sombras, mesmo as mais sombrias. Mas quando cai a noite eu começo a me sentir muito só. Em outros tempos era a minha hora predileta, justamente o momento em que o sol saía de cena e a lua chegava me trazendo inspiração, quietude, reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ontem aconteceu alguma coisa diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua já tinha me trazido as bonecas da escola, exaustas e famintas e com elas a infinita lista de afazeres que se resumem as nossas noites. Eu sei que sou uma mamãezinha para lá de exagerada, mas fazer o que? Chegaram? Jantar, suco, sobremesa. Banho na primeira. Secar os dedinhos do pé, colocar talco, limpar as orelhas com cotonetes falantes, hipoglós, fralda, desembaraçar o cabelo. Banho na segunda – esse com um tanto de briga claro, para entrar e para sair – coordenar a esponja com sabão, o xampu, o condicionador. Depois outra luta para ensinar como se seca sozinha. Outro pijama, outro cabelo para desembaraçar, unhas compridas para cortar. Hora de fazer as camas. Preparar o quarto para dormir. Ligar o abajur. Sim, o Toddy, que ainda por cima tem que ser quentinho e da cor exata se não o freguês devolve... Finalmente escovar os dentes, passar fio dental. Bochecho, o ultimo xixi e cama. Ufa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitei com elas e de novo me bateu aquela dor no peito. Eu as tenho tão perto do meu coração. A solidão que sinto não tem nada a ver com elas, é comigo. É essa solidão de não poder mais compartilhar esse amor nos moldes que sonhei de família. Quando a gente ama desesperadamente os filhos, precisa muito dividir esse amor. Até porque minhas filhas são duas preciosidades. De pijama então, me deixam louca de paixão. Clara e Catarina. Uma, miniatura da outra. Muitas vezes penso em como posso ter feito coisas tão perfeitas. É demais ver as duas agarradas aos seus respectivos ursos de estimação. Clara com Teddy e Catarina com... Teddynho, claro. Dois ursos iguais, só que de tamanhos diferentes, na proporção certa, para cada uma. São crianças de sonho. Devagarinho as vejo se acomodando entre minhas coxas, colo e os tantos travesseiros macios que estão sobre a nossa cama. Exalam um cheiro doce, puro, divino. De olhos bem abertos, me esperam abrir o mágico caderno das canções de ninar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, foi através dele que ontem aconteceu alguma coisa diferente dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre cantei para as meninas dormirem. Foi uma tradição que herdei da minha mãe e fiz questão de manter. Nunca esqueci a voz dela me encaminhando devagarinho para o mundo dos sonhos. Só que ao longo dos quase sete anos de maternidade, foram tantas as músicas que acumulei no meu repertório, que comecei a confundir as letras e por isso resolvi fazer um caderno, escrito à mão, com uma caneta roxa de glitter, com cheiro de uva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem eu cantei o caderno inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a cada canção cantada, eu dissolvia um pouco o nó que apertava o meu peito. Foi então que eu descobri que nas canções de ninar existe um ungüento mágico e poderoso. Que o som da minha voz cantando aquelas melodias podia fazer um caminho secreto dentro de mim, me levar por um túnel no tempo, para o melhor e mais iluminado pedaço da minha vida, quando eu era pequenininha e não conhecia a solidão. Foi extraordinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu não tive receio da noite, nem da falta do sol, nem das minhas sombras. Porque eu sei que existe uma luz dentro de mim que ilumina qualquer medo. E nem precisa ligar o abajur. Basta cantar &lt;em&gt;Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado... o meu amor, que me disse assim, que a flor do campo se chamava alecrim... &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5361511135000297899?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5361511135000297899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/o-unguento-das-cancoes-de-ninar.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5361511135000297899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5361511135000297899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/o-unguento-das-cancoes-de-ninar.html' title='O ungüento das canções de ninar'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SrhvrNrIvfI/AAAAAAAAAHg/W8Cu3eXTt-c/s72-c/teddysentado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-689577644321337536</id><published>2009-09-11T12:49:00.000-03:00</published><updated>2009-09-11T13:14:09.505-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Sqp3JaBCTUI/AAAAAAAAAHY/VgJaYBdLg7g/s1600-h/bird.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380243708333673794" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Sqp3JaBCTUI/AAAAAAAAAHY/VgJaYBdLg7g/s400/bird.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;“O que for a profundeza do teu ser,&lt;br /&gt;assim será teu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que for o teu desejo,&lt;br /&gt;assim será a tua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que for a tua vontade,&lt;br /&gt;assim serão teus atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que forem teus atos,&lt;br /&gt;assim será teu destino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-689577644321337536?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/689577644321337536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/o-que-for-profundeza-do-teu-ser-assim.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/689577644321337536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/689577644321337536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/o-que-for-profundeza-do-teu-ser-assim.html' title=''/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Sqp3JaBCTUI/AAAAAAAAAHY/VgJaYBdLg7g/s72-c/bird.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-2251391304194387995</id><published>2009-09-10T03:49:00.001-03:00</published><updated>2009-09-11T12:48:45.012-03:00</updated><title type='text'>As Divinas Azeitonas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SqpxRNXsn4I/AAAAAAAAAG4/gmBRXtJqCFM/s1600-h/olivesemcaroco.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380237245308247938" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SqpxRNXsn4I/AAAAAAAAAG4/gmBRXtJqCFM/s320/olivesemcaroco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu só tenho três azeitonas para comer. Apenas três. Elas e uma taça de vinho.&lt;br /&gt;E é nelas que está contida toda a minha inspiração para falar sobre um assunto muito sério para mim: a magnitude das azeitonas. Tenho um amigo que diz que sou muito exagerada no meu uso de adjetivos. Eu concordo. Mas como é que eu vou conseguir me controlar se o que eu quero esta noite é falar sobre azeitona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tal de Wikipédia revoluciona minha vida. Fui pesquisar sobre as azeitonas e levei um susto quando descobri que as pretas são as verdes envelhecidas. Questão de metamorfose. Gente, eu não sabia disso! Será que todo mundo sabe? Enfim, prefiro senti-las como o vinho... quanto mais amadurecidas, melhor. Sim, porque sempre tive predileção escancarada pelas pretas. As verdes são incríveis, principalmente aquelas gordas. Mas as pretas, ah... as pretas. Elas tem uma maturação no sabor, uma textura carnuda, um paladar visual. Elas me levam diretamente ao Mediterrâneo, ao seu calor e sol e casas brancas com janelas azuis. Dizem as más línguas que é super hiper mega calórico. Imagina só se alguém me vê com um pão entupido de grossas fatias de azeitona na mão? Vão pensar que enlouqueci. Quem liga para caloria quando se é feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa coisa de gulodice misturada com avareza é coisa séria. Pecado brabo. Só pode ser. Uma vez eu quase morri por causa de uma azeitona verde. Eu estava dando uma festa de aniversário em casa e obviamente, ganhei de presente um pote de azeitonas verdes argentinas, daquelas enormes. Coloquei numa cumbuca algumas para servir junto dos petiscos. Comi uma. Como duas. Na oitava achei que devia parar. Eu queria prolongar aquele prazer. E no mais, estavam todos avançando na minha azeitona. Pois bem. Coloquei a cumbuca na geladeira e voltei para sala. Alguém pediu uma cerveja e eu fui buscar. Abri a geladeira, peguei a latinha e assim que eu ia fechando a porta, vi aquelas bolotas verdes indecentes olhando para mim. &lt;em&gt;Ah&lt;/em&gt;, pensei, &lt;em&gt;vou comer só mais uma...&lt;/em&gt; peguei a safada, joguei na boca e ela foi direto para a glote. Nossa Senhora. Aquela coisa se instalou na minha goela, não descia, nem voltava. Fiz de tudo. Me enforquei, tentei virar de cabeça para baixo. Foram minutos de uma angústia profunda. Achei mesmo que ia morrer. &lt;em&gt;Que patético&lt;/em&gt;, pensei, &lt;em&gt;morrer entalada por uma azeitona&lt;/em&gt;. Quando finalmente consegui fazer a bicha descer garganta abaixo, já tinha até me despedido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As azeitonas habitam minha alma num andar muito alto, quase cobertura. Lá estão também o milho verde, a canela, o queijo gorgonzola. Mas isso é assunto para outra prosa. Hoje fico aqui com esse último pedaçinho, da última azeitona que me restou. Isso é que é ser feliz com pouco. Ou com nada. Taí! A azeitona é o Tao do Sabor. Tudo e nada numa só bolota. Maravilha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Esse texto é dedicado ao meu pai, João Manoel, que é o maior fã que eu conheço - depois de mim - de azeitonas pretas!) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-2251391304194387995?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/2251391304194387995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/as-divinas-azeitonas.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2251391304194387995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2251391304194387995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/as-divinas-azeitonas.html' title='As Divinas Azeitonas'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SqpxRNXsn4I/AAAAAAAAAG4/gmBRXtJqCFM/s72-c/olivesemcaroco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-3730711642160829080</id><published>2009-09-10T03:44:00.000-03:00</published><updated>2009-09-10T16:22:36.290-03:00</updated><title type='text'>ALGUÉM ME EXPLICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por favor, será que alguém pode me explicar o que foi que aconteceu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como foi que a gente permitiu essa alucinação e distorção do tempo no nosso dia-a-dia?&lt;br /&gt;Aonde foi que a gente perdeu o controle da vida e deixou que essa invasão bárbara de infinita demanda assumisse o controle do nosso cotidiano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu hoje chorei lavando louça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entendi que mesmo fazendo todo o esforço do mundo, nunca vou conseguir dar conta da minha vida. Não dá. Chega a ser patético. Olhar para todas as minhas responsabilidades e funções, depois para todas as minhas aspirações artísticas, espirituais e existenciais e achar que elas podem se encaixar milagrosamente no que tenho disponível de tempo na minha agenda é um sonho inatingível. Olha, eu conheço esse blábláblá de que preciso entender minhas prioridades e de que ser seletiva na vida hoje é a maior de todas as prioridades. Mas poxa, houve um tempo tão mais justo no passado. Tão mais coerente com o organismo da gente. Tempo das nossas avós, que bordavam e faziam bolo. Tempo das conquistas lentas. Do respeito aos ciclos da natureza. Eu sei que sou uma pessoa nostálgica e que luto muito para tentar achar sentido no caos que virou o nosso mundo. É por isso que escrevo. Mas confesso que muitas vezes o que me fica é a impressão de que essa luta pela valorização das relações humanas, pela busca do essencial e do profundo, é uma luta vã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia aconteceu uma coisa surreal. Eu já tinha me desfeito da conta do Orkut há um tempão, porque tinha me aborrecido muito com essa nova condição de relação através de &lt;em&gt;scrapbookmessages&lt;/em&gt;. Continuo perguntando e ninguém responde. Quem tem 453 amigos? Mas enfim... na semana passada, uma amiga me convenceu a entrar no Facebook. Que era um lugar mais maduro, de gente descolada, internacional... e que seria uma ótima oportunidade de fazer contatos artísticos. &lt;em&gt;Você precisa ficar antenada com o que está acontecendo com o mundo&lt;/em&gt; – disse ela. Tá bem. Fui, entrei e em menos de 12 horas já tinha nas mãos o contato e a vida de mais de 30 amigos. Caramba! Amigos que eu morria de saudade, que eu não tinha notícia há décadas... então, curiosa como sou, passei lá três madrugadas querendo desesperadamente saber deles, do que tinha acontecido com cada um, que caminho suas vidas tinham tomado, por onde andavam. Legal. Mas nem todo mundo entra, nem todo mundo responde. Nem todo mundo se compromete, nem todo mundo tá ali. Porque na verdade, nem todo mundo tem... tempo. Aí foi me dando uma angústia, um vazio... Tão cansada que eu tava, tinha perdido três noites desejando um milagre: pescar amigos com uma rede invisível. Saí do Facebook sem nem me despedir de ninguém. Vocês acham que alguém notou? Não, só a minha amiga antenada que tinha me convidado, que se preocupa de verdade comigo e com a minha necessidade de estar em contato com o mundo. Me ligou de Miami, rindo, dizendo que sabia que no fundo, aquilo não tinha nada a ver comigo. Enfim, isso sem falar no Twitter, no Messenger, no Google Talk. &lt;em&gt;Mother Fucker&lt;/em&gt; de mundo americanizado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu choro mesmo lavando louça. Choro porque não tenho empregada todo dia, porque podia ser mais espiritualizada e aproveitar para meditar enquanto ensabôo a panela com restinho de feijão. Choro porque tenho filhas divinas e maravilhosas mas que dão um trabalho braçal incrível na idade em que estão. Choro porque queria escrever, estudar, ler tantos livros, assistir os filmes que peguei há dias na locadora e não tive como. Choro porque não priorizo a natação que me prometo desde que fiz 30. Choro porque queria conhecer o mundo e provavelmente não vá conseguir fazer isso a não ser que me torne uma guia de turismo já. Choro porque queria continuar escrevendo aqui por mais tantas horas, mas agora realmente tenho que ir. Ao banco, ao supermercado e finalmente comprar o milho verde que prometo para Clara há mais uma semana e não consigo cumprir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-3730711642160829080?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/3730711642160829080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/alguem-me-explica.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3730711642160829080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/3730711642160829080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/alguem-me-explica.html' title='ALGUÉM ME EXPLICA'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4000909391226822432</id><published>2009-09-01T06:36:00.000-03:00</published><updated>2009-09-01T10:55:12.053-03:00</updated><title type='text'>ANJO MIÚDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Spzrb--uGEI/AAAAAAAAAGA/aoUyYzJA9Ec/s1600-h/passarinho.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376430921168590914" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Spzrb--uGEI/AAAAAAAAAGA/aoUyYzJA9Ec/s200/passarinho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como posso ser tão cega e não perceber o que essa criança está a horas tentando fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei de madrugada mais uma vez para escrever. A inquietude da minha alma tem me despertado todas as madrugadas, por volta das três horas da manhã como se fosse oito. Resignada, levanto, lavo o rosto, preparo um chá e vou para a frente do computador tentar descobrir o que de tão urgente precisa sair de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada acontece. Me distraio então com alguma pesquisa na internet, dou uma olhada nos meus emails e me lembro, como um despertadorzinho interno, da maravilhosa declaração de David Lynch a respeito da criação artística: “Se desejamos pegar peixes pequenos, podemos viver em águas rasas. Mas se desejamos pegar peixes grandes, então não escapamos de mergulhar em águas profundas”. Sei bem o que isso significa: meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meditar para mim é um esforço sobre-humano. Todas as vezes que tento meditar me deparo ainda mais com as turbulentas águas em que transbordam minhas idéias. O contato com essa realidade é assustadora. Somos um povoado de imagens e sentimentos que se misturam violentamente dentro da cabeça. Minha guru diz que a meditação é o único caminho para a paz interna. E que a paz é a única chance que temos de sobreviver ao caos em que o mundo se instalou. Através dela temos a chance de expandir nossa consciência e ir ao encontro da divindade que habita no fundo da nossa alma. Ela diz também que meditação não é nenhum bicho de sete cabeças. Basta sentar-se e permanecer em silêncio. Mas e quem disse que eu consigo ficar em silêncio com todas as urgências gritando dentro de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Estava eu aqui de madrugada debruçada sobre essas questões, quando chega Catarina, minha filha caçula, descabelada agarrada ao seu urso e chamando chorosa por “mamãe, mamãe...” &lt;em&gt;Ai puxa vida&lt;/em&gt;, pensei comigo, &lt;em&gt;agora mesmo que a meditação foi para o beleléu&lt;/em&gt;. Peguei-a no colo e a coloquei na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Não mamãe, quero colo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- &lt;em&gt;Catarina, pelo amor de Deus minha filha, tá de noite, olha só lá fora, o sol ainda não chegou, você tem que dormir...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- &lt;em&gt;Tá, mas no seu colo mamãe.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- &lt;em&gt;Tá bem...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Coloco-a no colo e canto baixinho uma canção de ninar. Minha cabeça continua a ferver. Ansiosa, desejo desesperadamente que ela durma para que eu possa voltar ao meu universo conturbado de tão sérias questões a resolver. Devagar, a acomodo sobre o travesseiro macio. Saio de mansinho. Um minuto depois, ela sentada na cama, de olhos molhados, me chama:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mamãe, eu quero você.&lt;br /&gt;- Filha, o que é que tá acontecendo com você meu anjo?&lt;br /&gt;- Mamãe, quero colo.&lt;br /&gt;- Tá bem, eu vou deitar do seu lado.&lt;br /&gt;- Não, eu quero colo. Colo sentada.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Impaciente, saio de novo do computador e a pego no colo. Sento na cama. Ela me olha fundo nos olhos, dá um sorriso, faz um carinho no meu rosto e fecha os olhos. Só então eu compreendo. Meu anjo miúdo de cabelos cacheados tinha saído de sua caminha para vir até aqui me ajudar a meditar. Que burra! Como pude ser tão cega e não perceber o que essa criança estava a horas tentando me dizer? Deitada eu pegaria no sono com ela. Sentada, precisando fazê-la dormir, era uma chance de ouro que eu tinha de entrar em profundo estado de meditação. Bastava fechar os olhos e sentir nossos corações baterem juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa madrugada fiz uma meditação profunda. E agora sentada aqui no computador escrevendo, com o pensamento mais tranqüilo, percebo um barulhinho que vem da janela e que me chama a atenção. Olho depressa. É um passarinho, outro anjo miúdo, que me olha através do vidro da janela. O que ele veio me dizer eu já sei: não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4000909391226822432?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4000909391226822432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/anjo-miudo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4000909391226822432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4000909391226822432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/09/anjo-miudo.html' title='ANJO MIÚDO'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Spzrb--uGEI/AAAAAAAAAGA/aoUyYzJA9Ec/s72-c/passarinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-6907490986396201626</id><published>2009-08-29T05:04:00.001-03:00</published><updated>2009-08-29T05:12:56.301-03:00</updated><title type='text'>Urgência artística</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SpjizrCR-WI/AAAAAAAAAF4/rtL7g0SkwsA/s1600-h/tsuru.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 224px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375295532620183906" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SpjizrCR-WI/AAAAAAAAAF4/rtL7g0SkwsA/s400/tsuru.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Final da tarde. Céu azul já pintado de laranja. Praça XV frenética com seu vai-e-vem de gente correndo para alcançar a barca. Debaixo do viaduto um homem solitário, recostado numa cadeira quebrada, sola sua guitarra num som estridente, com os olhos vidrados em algum lugar muito longe dali. O amplificador - a um passo de quebrar também - não parece amplificar sua música e sim a angústia de sua urgência artística, essa que assolam os artistas do mundo, que mesmo sem ter condição ideal de se manifestar, encontram sempre um viaduto e transeuntes surdos para lhes ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me despedir silenciosamente do músico, sigo meu rumo em direção ao CCBB. Nesta noite eu vou assistir uma peça sobre Clarice Lispector. Quando de repente me lembro do Café Livraria Arlequim. Eu estava louca por um café. Ah, que delícia sair do ar viciado e carbônico da Primeiro de Março e poder entrar num mundo paralelo, apenas atravessando uma porta de vidro. As livrarias definitivamente tem um cheiro divino, principalmente as que se misturam com café. Essa alquimia ainda pode se tornar mais curativa, quando além do olfato você cuida dos ouvidos. Quando entrei tive que disfarçar meu prazer: tocava um tango... belíssimo! Entrei, fechei os olhos, respirei fundo e disse para alguém que não ouviu: obrigada pelo instante! Ah essa fartura sensorial e criativa de que é feito o mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida alguma, eu também sou uma criatura que sofre de urgência artística. Com a vantagem de me alimentar não só das obras de arte, mas como também da arte que a vida nos dá. No cotidiano, nos sentidos, no observar a vida e se inundar dela. Outro dia ganhei um presente da vida. Eu voltava para Niterói de 996 e me deliciava com aquela beleza absurda do sol refletindo seu brilho na água do mar - quando consegui me deparar com uma cena ainda mais linda dentro do ônibus. O trocador, quieto e concentrado, fazia um origami de pássaro numa nota de dois reais. Lá estava mais um artista com urgência de expressar sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago diz que “todos somos escritores, só que alguns escrevem, outros não.” Eu diria que todos somos artistas, só que alguns tem pressa, outros não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-6907490986396201626?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/6907490986396201626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/urgencia-artistica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6907490986396201626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/6907490986396201626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/urgencia-artistica.html' title='Urgência artística'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SpjizrCR-WI/AAAAAAAAAF4/rtL7g0SkwsA/s72-c/tsuru.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-7953224211084727435</id><published>2009-08-25T01:32:00.000-03:00</published><updated>2009-08-25T02:37:16.180-03:00</updated><title type='text'>O LUGAR A QUE PERTENÇO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SpNu8Pv-26I/AAAAAAAAAFY/L4lbld8HASw/s1600-h/cortina.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373760761682123682" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SpNu8Pv-26I/AAAAAAAAAFY/L4lbld8HASw/s400/cortina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existe um lugar onde o tempo não existe.&lt;br /&gt;Onde não existe a vida como ela é. Só como se sonha viver.&lt;br /&gt;É um lugar secreto, poucos tem coragem de ir. Poucos ganharam o mapa para chegar até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estive neste lugar. Há muitos e muitos anos atrás. Estive e encontrei um tesouro. A melhor e mais forte versão de mim mesma. Mergulhei fundo em cada história vivida. Bebi das fontes mais preciosas. Caminhei por vielas esfumaçadas de gelo seco. Fiz malabarismos com palavras, me alimentei dos mais famosos poetas, me embriaguei de idéias malucas e imperfeitas. Atravessei paredes, encontrei dimensões paralelas, sobrevoei histórias fantásticas, me emocionei com as mais tristes. Cantei, dancei, presenciei intervenções divinas e o nascimento da arte inúmeras vezes, através de úteros jovens, maduros e muitas vezes, anciões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi lá, nesse lugar, que pela primeira vez eu entendi a vida. E vi sentido nela. Num lugar onde não se exige explicação ou razão. Que só se clama por emoção e pela corajosa capacidade do ser humano em ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, hoje... Hoje eu escrevo aos quatro ventos essas palavras e as transformo em passos largos que me levarão de volta ao lugar que pertenço. Lavarei minha pele com todas as palavras líquidas que houverem até conseguir fazer ressurgir nela, o mapa do tesouro que eu tinha tatuado em mim. Escrevo para sacramentar de vez com os deuses esse meu desejo labiríntico de voltar ao único lugar que nunca deveria ter saído. Por isso, hoje... Se for preciso, não só escreverei, como gritarei em praça pública:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu voltarei ao teatro!&lt;br /&gt;Antes que eu morra - de novo - eu voltarei ao teatro!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(Este texto é dedicado ao meu primeiro professor de teatro Ernesto Piccolo, que sempre me fez acreditar na magia absoluta do teatro e na paixão que ele pode exercer na vida de alguém!)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-7953224211084727435?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/7953224211084727435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/o-lugar-que-pertenco.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/7953224211084727435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/7953224211084727435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/o-lugar-que-pertenco.html' title='O LUGAR A QUE PERTENÇO'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SpNu8Pv-26I/AAAAAAAAAFY/L4lbld8HASw/s72-c/cortina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-8783419376978330316</id><published>2009-08-20T14:00:00.000-03:00</published><updated>2009-08-21T01:30:28.718-03:00</updated><title type='text'>A luz da vela e o holofote</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/So2Fi95Oz4I/AAAAAAAAAFQ/SCK2PryMOcs/s1600-h/lamp.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 171px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372096766299524994" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/So2Fi95Oz4I/AAAAAAAAAFQ/SCK2PryMOcs/s400/lamp.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu ontem passei a noite em claro, olhando a chama divina da vela, para ver se via alguma luz na escuridão da minha existência. Não há um só dia na minha vida em que eu não me pergunte: &lt;em&gt;meudeusdocéu, o que é que eu vim fazer aqui?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasci com uma extraordinária sensibilidade para as coisas do mundo. Minha infância foi um universo perfeito como devem ser os primeiros anos. Transitei por entre as dimensões paralelas onde todas as coisas mágicas estão, experimentei o mundo &lt;em&gt;in natura&lt;/em&gt;, sem nunca me preocupar com o porquê das coisas ou das razões de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas eu desejei crescer e atravessar a fronteira desse mundo interno, porque tinha certeza de que como mulher - tendo posse da minha liberdade - eu poderia finalmente traduzir tudo aquilo que na infância tinha explodido dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que quando entrei na idade adulta, percebi que não só tinha perdido parte das minhas asas como também não me adequava a lugar algum. Talvez tenha sido por isso minha busca pelo teatro aos 13 anos. Porque de alguma forma pressentia que na arte eu ainda poderia transitar entre a realidade e a fantasia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante muitos anos eu me debati entre a necessidade de amadurecer – ganhar dinheiro, conquistar o mundo - e ainda conseguir salvar aquilo que eu acreditava ser o melhor de mim: o meu rico e povoado mundo imaginário. Mas o mundo real não é assim. E sem conseguir me firmar no teatro, como profissional independente auto suficiente, abri mão do sonho de viver da arte e talvez nela encontrar meu propósito de vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, sem planejar muito, veio a maternidade. A doce, sábia e trabalhosa maternidade. E sem me dar conta, percebi que uma janela de novo se abria dentro de mim. Foi cuidando das minhas meninas que eu voltei a ouvir a minha voz... aquela voz miúda que dizia: &lt;em&gt;sonhe, volte a sonhar&lt;/em&gt;. Por falta de tempo e espaço, a única arte que me cabia entre fraldas e mamadeiras, era escrever. Então comecei a escrever e a escrever... e perceber que se eu desse atenção àquela voz que vinha lá de dentro, com tanta vontade e determinação, tudo aquilo que estava contido há tantos anos, poderia finalmente escoar de dentro de mim. Pronto. Já estava eu sonhando de novo em encontrar meu propósito. Eu tenho essa crença arraigada em mim. Que a gente vem por um propósito. Para trilhar um caminho específico. Se não fosse isso não existiria a tríplice divisora dos indivíduos: &lt;em&gt;dom&lt;/em&gt;, talento e vocação. É uma linha muito tênue que divide o significado dessas três palavras, mas existe: dom, vem do latim e significa presente, dádiva, capacidade especial dada pelos deuses. Quem nasce com uma voz abençoada, não pode ter dúvida de seu dom. &lt;em&gt;Talento&lt;/em&gt; também é uma aptidão, mas é diferente na origem e pode ser desenvolvido pelo treino e pela prática. Existem milhões de pessoas com talento, mas nem todas tem a obstinação e a disciplina para superarem as dificuldades que encontram pelo caminho. Já &lt;em&gt;vocação&lt;/em&gt; é uma palavra de origem latina e significa "o ato de chamar". Quem segue a vocação obedece a um chamado. Quem nasce desejando profundamente cuidar de outras pessoas, está ouvindo um chamado interno. Logo, sua vocação o levará aos caminhos da medicina ou da psicanálise. Se ele vai ter talento para isso, são outros quinhentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas e quem tem só um amor explosivo no coração e uma paixão pelo mundo, faz o que?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho uma amiga querida que diz que “quando fazemos algo que nos dá prazer com relativa facilidade, depois de muito treino, estaremos atendendo a nossa vocação. E que naturalmente as coisas começam a dar certo. Os caminhos se abrem. Tudo flui porque é o seu destino se consolidando.” Hum, minha conta bancária não tem percebido muito essa fluência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tantos anos já se passaram desde que comecei a escrever. Nenhuma realização concreta me fez crer ser esse o meu propósito de vida. Tudo bem que não tive a obstinação de um herói, a persistência de um guerreiro, a disciplina de um samurai. Disciplina. É isso que me falta. Ao invés de passar minhas noites em claro tentando achar as razões da minha existência na chama da vela, talvez o que precise simplesmente é focalizar um enorme holofote na necessidade de constância na minha escrita. Só isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só o que sei é o que sinto. E só eu sei a sensação profunda de alívio que me dá escrever um texto, como esse que acabo de escrever. Ninguém sabe o quanto dói uma idéia presa dentro do peito. Já dizia a grande poeta Viviane Mosé: &lt;em&gt;pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa. palavra boa é palavra líquida, escorrendo em estado de lágrima.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-8783419376978330316?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/8783419376978330316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/luz-da-vela-e-o-holofote.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/8783419376978330316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/8783419376978330316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/luz-da-vela-e-o-holofote.html' title='A luz da vela e o holofote'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/So2Fi95Oz4I/AAAAAAAAAFQ/SCK2PryMOcs/s72-c/lamp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-4239975201804564727</id><published>2009-08-16T03:30:00.000-03:00</published><updated>2009-08-16T20:58:22.772-03:00</updated><title type='text'>Experiência de Amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/Soevoqgl3cI/AAAAAAAAAFA/XqQT2jHGFog/s1600-h/sonho.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro dia sem querer fiz uma viagem antes de dormir que me deixou surpresa. Eu fechei os olhos e vi, minhas duas pequenas, encolhidinhas na cama dormindo na maior tranqüilidade do mundo. E então aproveitei a visão e dei um beijo de boa noite em cada uma delas. Daí eu lembrei dos meus sobrinhos, que dormem lindos de boca meio aberta, e imaginei os dois, cada um em sua cama, já adormecidos. E senti esse amor profundo por eles dentro de mim, como se fossem meus filhos. Então de repente, me deu um impulso de sair voando por aí, visitando pessoas da minha família, amigos pelo mundo, fazendo na verdade uma jornada interna, lembrando de todas as pessoas que eu amava e sentia saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência foi incrível. Porque eu consegui visualizar todas as pessoas que desejei. Aconchegadas entre travesseiros e cobertores, em estado profundo de sono, algumas encolhidas como minhas bonecas, outras espalhadas pela cama, cada uma eu inventei de um jeito. Mas dentro de mim, o que batia mais forte – sempre – era essa divina possibilidade de poder amar a cada uma daquelas pessoas, num simples gesto de dar-lhes boa noite. Foi umas das experiências de amor mais fortes que eu já vivi. Uma viagem que eu tenho desejado repetir todas as vezes que preciso me alimentar dessa egrégora que me fortalece, esse círculo de amigos de alma que eu ganhei da vida, que são hoje meu elo mais forte com o mundo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-4239975201804564727?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/4239975201804564727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/da-serie-experiencias-de-amor.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4239975201804564727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/4239975201804564727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/da-serie-experiencias-de-amor.html' title='Experiência de Amor'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5571394427308866542</id><published>2009-08-16T03:01:00.000-03:00</published><updated>2009-08-16T03:29:18.128-03:00</updated><title type='text'>O Mistério Musical da Miguel de Frias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem descobri a verdade sobre o mistério musical da minha rua.&lt;br /&gt;Todos os dias estava acordando, por volta das cinco e meia da manhã, com uma pessoa cantando muito alto em plena Miguel de Frias deserta e silenciosa. O homem – nitidamente a voz era de um homem – cantava a plenos pulmões como se estivesse no palco do Teatro Municipal, adorando o eco que a rua fazia. E como era bonita aquela voz! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No primeiro dia tive certeza de que estava sonhando. No segundo, tive um &lt;em&gt;deja vu&lt;/em&gt;. No terceiro tive um treco e fui olhar na janela o que era aquilo. Nada. Ouvia-se apenas o &lt;em&gt;eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde para plantar e para colher... &lt;/em&gt;hã? Eu adoro essa música... &lt;em&gt;ter uma casinha branca de varanda, com quintal e uma janela, para ver o sol nascer... &lt;/em&gt;Fui deitar achando que estava ouvindo coisas. E nas semanas que se passaram, como ele renovou muito pouco a seleção musical, eu acabei achando que tudo aquilo fazia parte de um delírio mesmo, de um sono truncado pelas minhas noites mal dormidas.&lt;br /&gt;Mas ontem, ontem eu não agüentei. Minha porção Hercule Poirot travou uma batalha de perguntas e investigações minuciosas com os porteiros e vizinhança para tentar descobrir o que havia de fato por trás dessa história. Tão simples: “Sim Dona Tatiana, esse barulho que a senhora escuta é um velhinho que todos os dias vem vender café e chocolate quente para o pessoal da obra aqui da redondeza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é simples. E maravilhosa. Qualquer dia desses, é claro que eu vou descer para tomar um café com esse velhinho. E descobrir quem ele é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5571394427308866542?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5571394427308866542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/o-misterio-musical-da-miguel-de-frias.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5571394427308866542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5571394427308866542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/o-misterio-musical-da-miguel-de-frias.html' title='O Mistério Musical da Miguel de Frias'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-8547661398290770507</id><published>2009-08-05T08:00:00.000-03:00</published><updated>2009-08-05T05:23:20.578-03:00</updated><title type='text'>Sobre vida, morte e vegetais</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnlAodVmjkI/AAAAAAAAAD4/TV6OJg7RC-I/s1600-h/apartida.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 221px; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366391494802837058" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnlAodVmjkI/AAAAAAAAAD4/TV6OJg7RC-I/s320/apartida.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnlAbkDrVrI/AAAAAAAAADw/JjqECIBsWRg/s1600-h/apartida.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Assisti essa semana “A Partida”, o filme japonês que ganhou o Oscar de filme estrangeiro. Assisti porque minha irmã olhou fundo nos meus olhos e disse: &lt;em&gt;“Você tem que assistir esse filme.”&lt;/em&gt; Tá bem, eu nunca questiono esse tipo de ultimato. E apesar de não gostar muito de filme japonês, em questões cinematográficas eu procuro sempre combater a ferro e fogo qualquer conceito pré-concebido, porque sei que muitas vezes é na história mais estranha ou esdrúxula, que pode vir o maior ensinamento que a arte pode me dar em determinado momento. Então já que era pra eu ir, fui e mergulhei fundo na história. E voltei calada, com o rosto molhado de tanto chorar, remexida nas vísceras e com um monte de questões para pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que transbordou e me tirou o sono desde então, foi justamente a questão que está sempre me espreitando atrás da porta: o preconceito. Caramba, se tem uma coisa que me deixa de cabelo em pé, com a veia do pescoço saltada, espumando e com o olho vermelho de raiva... é o tal do preconceito. E mesmo tentando sempre ser uma pessoa justa e tolerante, eu ainda me pego muitas vezes com a boca na botija, julgando uma coisa sem conhecer a fundo, opinando sobre algo que nem sempre tenho o direito de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre tive o maior preconceito com médico-legista. Achava que uma pessoa que escolhia como profissão viver debruçado sobre cadáveres, tinha que ter algum tipo de desvio de comportamento. Porque eu própria tinha um total e absoluto estranhamento de corpos de pessoas mortas. Vamos combinar que quase todo mundo tem. É um mistério profundo para gente. Me lembro quantas vezes me peguei pensando nos milhares de corpos se soltando dos escombros do avião da Air France no fundo do mar. Imaginava aquela cena e não dormia mais. Me lembro de olhar para o corpo da minha tia-avó no caixão e dizer: &lt;em&gt;“Mas onde foi parar aquela alegria?”&lt;/em&gt; Só sei que depois de assistir ao filme, muitas coisas dentro de mim se dissolveram e tomaram outra proporção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do músico desempregado que só arranja emprego como &lt;em&gt;nokanshi&lt;/em&gt;, apesar do preconceito de todos e dele mesmo, é uma lição profunda sobre a morte... e a vida. Na cultura japonesa, a profissão de 'nokanshis' é uma combinação entre agente funerário e religioso, mas não é exatamente nenhuma das duas ocupações, é algo único. Um nobre trabalho de lavar, vestir e preparar os corpos para os parentes enlutados e ajudá-los numa melhor travessia. Tanto para quem morreu, como para quem ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma cena ótima em que o chefe dele se atraca com uma coxinha de galinha, logo depois de ter cuidado de um corpinho que estava há mais de duas semanas morto. Ele, totalmente enojado, constata então a morte do pobre animal. &lt;em&gt;“Sim – diz o senhor – estes estão melancolicamente mortos”.&lt;/em&gt; Naquele momento me bateu como um soco no estômago meu difícil processo de estar sempre tentando &lt;em&gt;vegetariar&lt;/em&gt;. Já perdi a conta de quantas vezes tive que me explicar, em brigas homéricas, por não querer comer coisas que tenham olhos. Já perdi a conta de quantas vezes me aborreci por enfrentar o preconceito das pessoas, que acham que eu me acho superior porque não como carne. Meu Deus, eu vivo uma luta diária. Sou praticamente uma vegetariana anônima, porque enfrento todos os dias, todos os tipos de dificuldades. O mundo não é vegetariano e por isso existem poucas alternativas para quem não come carne e o que tem é sempre mais caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, Anna Sewell, escritora inglesa, disse uma frase assim:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Se nós vemos coisas erradas ou crueldades, as quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso vale para qualquer tipo de preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu possa sempre combater meu preconceito aos carnívoros, que eu possa me perdoar por ter sido tão cruel com os médicos-legistas e que o Cinema possa sempre me dar vários tabefes na cara, me fazendo acordar para a vida e me ensinando de forma lúdica, a ser uma pessoa melhor a cada dia – ou a cada sessão. Amém!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-8547661398290770507?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/8547661398290770507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/sobre-vida-morte-e-vegetais.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/8547661398290770507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/8547661398290770507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/08/sobre-vida-morte-e-vegetais.html' title='Sobre vida, morte e vegetais'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnlAodVmjkI/AAAAAAAAAD4/TV6OJg7RC-I/s72-c/apartida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-2947002469340871654</id><published>2009-07-29T07:20:00.000-03:00</published><updated>2009-09-10T03:44:46.386-03:00</updated><title type='text'>O INVERNO DA ALMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnFDnWDs1VI/AAAAAAAAADg/TYOnF6nOGoY/s1600-h/cold.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364142974390031698" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnFDnWDs1VI/AAAAAAAAADg/TYOnF6nOGoY/s200/cold.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnFDcQm7MlI/AAAAAAAAADY/Iox0sbpH-tQ/s1600-h/quilt.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesses dias de inverno, a gente não sabe dizer se o que mais sente frio é o corpo, ou a alma. Tudo parece tão retraído. O corpo endurece, fica retido, sem expansão. Com a alma acontece a mesma coisa, com o agravante de que com ela não há cachecol que dê jeito. O corpo a gente ainda pode deixar uns vinte minutos embaixo do chuveiro, naquela água quente &lt;em&gt;pelando&lt;/em&gt; maravilhosa, que aos poucos ele vai ganhando maleabilidade de novo. Dá para cuidar dele também com um chá de capim cidreira, uma sopinha de batata baroa e um edredom. Mas e a alma? Como que a gente faz para aquecer essa coisa incorpórea, imaterial e invisível mas que sente frio do mesmo jeito como se fosse pele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando com muito frio na alma desde que me separei. Essa coisa de separação depois de estar a vida inteira casada é uma coisa muito esquisita. Meu coração que antes vivia quentinho, agora não só tá pequeno e dolorido como parece que vive resfriado. Chega a doer no peito. Eu tinha um discurso lindo de que mantinha minha individualidade acima de tudo, que perpetuava meu espaço sagrado como Tatiana e coisa e tal. Tudo balela. Depois que a gente casa acaba virando uma geleca amorfa que geralmente não consegue discernir o que é você e o que é o outro. E aí, quando cada corpo precisa seguir um caminho distinto, ao invés de sair inteiro, sai todo despedaçado. Eu tenho sentido que viver essa nova vida tem sido mais ou menos como querer montar um quebra-cabeça de cem mil peças. Pequenas. Se eu ao menos soubesse tricotar, faria um enorme agasalho para vestir minha alma. E aproveitava para aliviar um pouco o peso que ficou para as meninas... Elas não entendem porque de uma noite para a outra, eu comecei a colocar uma de cada lado do meu corpo na cama de casal. Só consigo dormir depois de sentir o coração de cada uma bater junto ao meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem os sábios que o inverno é um tempo de recolhimento, de se voltar para dentro, de entrar na caverna e ter a rica possibilidade de ficarmos cara a cara, bem de perto, com nós mesmos. Bom, contanto que eu possa arrumar essa caverna do meu jeito tudo bem. Quero lá minhas pequenas correndo entre brinquedos, um bom estoque de saquinhos de chá, uma lareira para derreter &lt;em&gt;marshmallows&lt;/em&gt;, uma adega simples com muitas garrafas de vinho tinto, uma estante com livros de poesia, crônicas e boas histórias de Isabel Allende, um gramofone para tocar meus saudosos discos de vinil (não cabe nada digital na minha caverna) e um bom estoque de papel e caneta pra eu escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever aquece minha alma. Ainda bem que eu lembrei disso. Não sei tricotar, mas uma colcha de letrinhas vou fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-2947002469340871654?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/2947002469340871654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/07/o-inverno-da-alma.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2947002469340871654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2947002469340871654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/07/o-inverno-da-alma.html' title='O INVERNO DA ALMA'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SnFDnWDs1VI/AAAAAAAAADg/TYOnF6nOGoY/s72-c/cold.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-2291683231443021339</id><published>2009-07-29T06:54:00.000-03:00</published><updated>2009-07-30T03:57:17.881-03:00</updated><title type='text'>ESPEREI TEMPO DEMAIS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Eu esperei tempo demais para começar.&lt;br /&gt;Esperei ficar madura para só me colher no ponto certo.&lt;br /&gt;Esperei ter histórias melhores para contar&lt;br /&gt;E estar com a casa arrumada, limpa e organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto sei que ainda estou verde de dar cica,&lt;br /&gt;As histórias se acumularam de tal forma que muitas perdi pelo tempo. E a casa, bem... a casa está um brinco, mais ainda tenho gavetas e caixas para arrumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu esperei tempo demais.&lt;br /&gt;Esperei ter a mesa perfeita, a cadeira correta, a cor de parede ideal.&lt;br /&gt;O computador mais adequado, o teclado mais confortável.&lt;br /&gt;Esperei o inverno chegar, depois a chuva cair, depois vir um dia par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto sei o quanto cada uma dessas desculpas encobriam&lt;br /&gt;Meu tremendo medo de começar. De me expor. De me colocar na estrada e entender que na vida não há jornada que nos traga de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu esperei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Esperei o melhor tempo do relógio, esperei me separar para ter o tempo só para mim.&lt;br /&gt;Esperei desmamar, a fase de menos demanda das meninas, depois a adaptação da escola.&lt;br /&gt;Depois foi a espera pelo tempo livre que nunca vinha porque afinal eu tinha que cuidar de um lar. Supermercado, banco, compromissos urgentes, obrigações inadiáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, escrever que era a maior urgência de todas, eu pude adiar. Protelar, prorrogar, fazer esperar a única coisa que tinha pressa. A única e simples coisa que podia me salvar de mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu esperei tempo demais e agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu acabei de cair da arvorezinha da minha vida.&lt;br /&gt;Madura? Não, verde.&lt;br /&gt;Verde de esperança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-2291683231443021339?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/2291683231443021339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/07/eu-esperei-tempo-demais-para-comecar.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2291683231443021339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/2291683231443021339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/07/eu-esperei-tempo-demais-para-comecar.html' title='ESPEREI TEMPO DEMAIS'/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4809818246249652180.post-5818552158191704064</id><published>2009-02-21T02:34:00.000-04:00</published><updated>2009-06-01T00:52:44.769-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SZ-jAd7z1gI/AAAAAAAAAA8/8FX9YG7N5z8/s1600-h/borboletatigre.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 300px; height: 293px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SZ-jAd7z1gI/AAAAAAAAAA8/8FX9YG7N5z8/s320/borboletatigre.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305138114496550402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"Não&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  haverá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  borboletas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  se a vida não passar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  por longas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  e silenciosas metamorfoses"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  Rubem Alves&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4809818246249652180-5818552158191704064?l=ondehabitaminhaalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/feeds/5818552158191704064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/02/nao-havera-borboletas-se-vida-nao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5818552158191704064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4809818246249652180/posts/default/5818552158191704064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ondehabitaminhaalma.blogspot.com/2009/02/nao-havera-borboletas-se-vida-nao.html' title=''/><author><name>Tatiana Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13013005385000929736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-XFIEZqfO3mU/TnzM2B83D-I/AAAAAAAAAOk/dDD72uYdZ88/s220/euruiva.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_90AMMu_mjts/SZ-jAd7z1gI/AAAAAAAAAA8/8FX9YG7N5z8/s72-c/borboletatigre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
